Reitores de todo o país leem declaração conjunta sobre efeitos dos cortes na universidades

Reitores de todo o país leem declaração conjunta sobre efeitos dos cortes na universidades

 

Lusa/AO Online   Nacional   9 de Nov de 2012, 06:30

Os estabelecimentos de ensino superior poderão ficar sem dinheiro para pagar salários em meados do próximo ano, alertam os reitores que hoje leem uma declaração conjunta sobre os efeitos da proposta de lei do orçamento para 2013.

Em causa está um corte de quase 10 por cento no financiamento público às universidades que, segundo os reitores, põe em causa a qualidade do ensino assim como a investigação.

De norte a sul do país, os reitores vão ler um comunicado conjunto intitulado "As universidades e o futuro de Portugal", no qual abordam precisamente a situação financeira das instituições.

A iniciativa, coordenada pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), vai ocorrer à mesma hora, em todas as universidades (incluindo as ilhas).

Segundo o presidente do CRUP, António Rendas, "a situação das universidades é muito grave", já que a redução das dotações em 9,4 por cento vai limitar "a capacidade de intervenção".

Em conferência de imprensa realizada quarta-feira no Conselho Nacional de Educação (CNE), após reunião do CRUP com os presidentes dos Conselhos Gerais das Universidades, António Rendas alertou para o risco de os estabelecimentos de ensino poderem "chegar a meio do próximo ano, sem dinheiro para pagar salários".

Rendas referiu ainda que os cortes terão "efeitos imprevisíveis e irreversíveis em todo o sistema universitário", lembrando que o financiamento público já foi reduzido “em 144 milhões de euros, entre 2005 e 2012, podendo este valor atingir os 200 milhões de euros", caso o OE não seja alterado.

Preocupados com o futuro, os reitores decidiram realizar uma série de iniciativas com vista ao esclarecimento das comunidades universitárias, da opinião pública e dos decisores políticos.

Cortes nas despesas com limpeza e segurança e professores dispensados marcam já a realidade diária da Universidade Técnica de Lisboa (UTL), cujo reitor alertou esta semana para os perigos dos cortes orçamentais que ameaçam tornar 2013 um ano "impossível".

Em declarações à Lusa, António Cruz Serra defendeu que "não há instrumentos de gestão" que permitam às instituições funcionar "com um corte de dez por cento depois de já ter sido descida em 30 %" a dotação orçamental para o Ensino Superior".

Na Universidade de Aveiro, o reitor alertou para o facto de os cortes poderem significar fechar cursos, reduzir turmas, dispensar professores ou funcionários. Para o reitor Manuel Assunção, os cortes põem em causa a qualidade do ensino e da investigação.

O reitor da Universidade do Algarve (UAlg) reiterou que a instituição "não pode funcionar" com os cortes previstos no OE, garantindo que já foi feito "tudo o que era possível" para reduzir custos.

Já o Conselho Nacional de Educação considera urgente a intervenção da tutela na regulação do sistema de ensino superior, defendendo que a otimização dos recursos e a criação de maior massa crítica devem orientar a reorganização e diferenciação da rede.

Entretanto, na quinta-feira, o secretário-geral do PS considerou que o corte é uma “asneira enorme” e defendeu a necessidade de o Governo "arrepiar caminho".

Caso o executivo não decida repor a verba, António José Seguro garantiu que o PS iria apresentar, em sede de discussão na especialidade do OE, uma proposta para travar o corte. Na véspera tinha sido a vez da Juventude Social-Democrata (JSD) pedir ao Governo que recuasse.


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