Para a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), o setor do desporto em Portugal é “altamente masculinizado” e o país “apresenta níveis particularmente críticos, com ausência de mulheres nos cargos de presidência e liderança executiva dos principais organismos desportivos e governamentais, contrastando com uma média europeia que, embora também desequilibrada, mostra alguns sinais de progressos”.
Na análise feita, disponível no Boletim Estatístico 2025, que reúne dados com vários horizontes temporais, a CIG refere que os “maiores corpos de liderança desportiva [em Portugal] incluem Federações Desportivas, Comités Nacionais e Ministérios ou corpos políticos” e destaca que “nas Federações Desportivas Nacionais existe uma evidenciada assimetria nas estruturas dirigentes, particularmente nos cargos de presidência”.
Com dados referentes a 2024 e analisando 10 federações desportivas nacionais, a CIG constatou que “100% dos cargos de presidência são ocupados por homens”.
Fora do grupo de federações considerado pela CIG existem no entanto federações desportivas lideradas por uma mulher, como por exemplo as federações de Dança Desportiva, Petanca ou Lohan Tao Kempo.
Na média da União Europeia a 27 (UE27) “uma mulher em cada oito pessoas (12%) é presidente em Federações Desportivas, um valor bastante baixo”.
Os valores para Portugal melhoram ligeiramente nos cargos de vice-presidência ou quando analisados os membros dos executivos desses órgãos, mas a “presença feminina [é] relativamente baixa” e “ligeiramente abaixo da média da EU”.
Segundo os dados analisados pela CIG, concretamente em relação aos cargos de vice-presidente das federações desportivas, entre os 39 existentes, apenas oito são mulheres, o que representa 21%. Já entre os membros do executivo, a disparidade está entre 22 mulheres (23%) contra 72 homens.
A comissão salienta, no entanto, que há paridade plena no cargo de responsável do executivo (50%), um “valor acima da média da UE27 (27%)”.
Na análise feita aos Comités Olímpicos Nacionais (CON), com dados de 2024, a CIG constatou igualmente “uma persistente desigualdade de género”, tanto no cargo de presidente como entre os responsáveis de executivo, em que “a situação portuguesa destaca-se negativamente pela ausência total de mulheres nestes dois cargos”.
“Mesmo em cargos de vice-presidência e membros do executivo, onde Portugal apresenta alguma presença feminina (25% e 30,8%, respetivamente), as mulheres encontram-se ainda sub-representadas”, diz a CIG.
Segundo a Comissão para a Igualdade, em 2024 a disparidade de género continua nos ministérios nacionais responsáveis pelo desporto em Portugal, onde “é significativa”.
“Enquanto a média da UE27 apresenta uma distribuição relativamente equilibrada entre homens e mulheres nos cargos de administrador sénior (48,9% e 51,1%, respetivamente), Portugal não regista qualquer pessoa neste nível de responsabilidade”, refere a CIG.
Por outro lado, nos cargos de membros de Governo ou do executivo político na área do desporto, reportando-se a CIG ainda a dados de 2024, “Portugal destaca-se negativamente com 100% de homens no cargo e nenhuma mulher a exercer estas funções”, ainda que a realidade da média da UE27 também seja de “predominância masculina (68,8%)”.
No atual governo português, a pasta da Cultura, Juventude e Desporto está a cargo de uma mulher, Margarida Balseiro Lopes
Para a CIG, é evidente que se tem vindo a assistir a um aumento do emprego no setor desportivo, mas este “continua a ser um setor altamente masculinizado”, no qual existe “uma profunda desigualdade de género nas estruturas de liderança e decisão no setor desportivo”.
Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género alerta para falta de paridade no setor do desporto
Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género alertou para “uma profunda desigualdade de género nas estruturas de liderança e decisão no setor desportivo” em Portugal, com poucos casos de mulheres a conseguirem chegar a cargos de direção
Autor: Lusa/AO Online
