Sociedade

Quebra do poder de compra limita gastos de Natal

Quebra do poder de compra limita gastos de Natal

 

Rui Leite Melo / Lusa   Regional   13 de Nov de 2008, 10:02

Compra-se menos, compra-se mais barato e começa-se a comprar mais tarde. Vários estudos o comprovam bem como a voz dos comerciantes, a viverem dias de expectativa
As famílias portuguesas deverão moderar as suas compras de Natal este ano e gastar menos 4,8 por cento do que em 2007, revela um estudo elaborado pela consultora Deloitte ontem divulgado.
De acordo com o estudo, o cenário de crise e incerteza da economia portuguesa e mundial irá afectar as tradicionais compras no período das comemorações do Natal.
 Mais de 90 por cento dos inquiridos afirmaram que a economia está actualmente em recessão, contra os 69 por cento que manifestaram igual opinião no mesmo período do ano passado.
A maioria dos portugueses também prevê que este cenário irá agravar-se em 2009.
No estudo citado, 7 por cento dos inquiridos declararam que em 2008 estão a ter um poder de compra inferior ao de 2007 e que o rendimento disponível para as compras de Natal é igualmente mais reduzido.
   “Neste cenário, os portugueses pretendem adquirir presentes mais úteis e estarão muito atentos às promoções efectuadas nesta época do ano”, refere a Deloitte.
De acordo com o estudo referido, os portugueses irão evidenciar ainda “uma postura conservadora e prudente”, referindo “estarem dispostos a gastar mais tempo à procura da melhor solução em termos de preço, de forma a não ultrapassarem o orçamento definido para as compras de Natal”.
 No entanto, segundo as previsões da consultora, as crianças não serão afectadas pela crise, pois não se estima um decréscimo dos presentes atribuídos pelos adultos.
 “Os brinquedos electrónicos serão bastante procurados, pelo que a expectativa de comportamento deste mercado pode ser encarada com optimismo”, refere.
Segundo a Deloitte, gastar menos em presentes provavelmente não quererá dizer oferecer menos presentes caros, o que pode ter um impacto positivo em certos segmentos de retalho, tais como grandes lojas de electrodomésticos, artigos de luxo e produtos de marca. Entre as conclusões do estudo, consta ainda uma segundo a qual os portugueses pretendem equilibrar o orçamento global, gastando menos em presentes, utilizando o dinheiro extra para comprar alimentos para as festividades de Fim de Ano.
“Este ano de 2008 irá marcar uma mudança significativa nos gastos de Natal e Fim de Ano na Europa. Os retalhistas podem contar com índices de venda inferiores aos registados nos últimos anos, exemplo do que aliás irá suceder em Portugal”, considerou o partner da Deloitte responsável pelo sector de Consumer Business, Luís Belo, à Agência Financeira
No entanto, salienta que “alguns retalhistas ainda podem obter resultados positivos desde que consigam responder às expectativas dos consumidores e disponibilizar produtos práticos e com boa relação preço/qualidade em vez de produtos supérfluos e mais dispendiosos».
Relativamente aos presentes preferidos, o estudo indica que em Portugal, as preferências são roupa, livros e dinheiro.
Este estudo foi realizado em 15 países europeus e na África do Sul entre 29 de Setembro e 10 de Outubro com base numa amostragem de 18178 consumidores representativa da população de cada um desses países.
Um outro estudo realizado pela Fonebus, da Marktest, aponta para um cenário igualmente preocupante. De acordo com a sondagem realizada,  apenas 3,1 por centro dos portugueses já começou a fazer as compras de Natal, enquanto que 43,9 por cento dos inquiridos disseram comprar os presentes apenas na primeira quinzena de Dezembro. Para a semana de Natal estão reservadas 26% das compras. Por outro lado, o levantamento feito pela  Marktest conclui que a maioria dos portugueses pensa gastar entre 50 e 250 euros (31,1%), ao passo que apenas 5% admite despender acima de 500 euros.
Em relação ao tipo de produtos que vai entrar no carrinho de compras, a maior parte (39,8%) vai optar por comprar roupa, seguindo-se na lista os brinquedos (24%), livros (15,8%), perfumes (11,7%) e música (7,7%). Há ainda um número significativo de inquiridos que refere uma multiplicidade de prendas, sendo as mais citadas os objectos de decoração, doces, bebidas, filmes e jogos electrónicos.

Comércio apreensivo
Na hora de gastar dinheiro, 45,9% optam pelos centros comerciais e apenas 15,3% escolhem o comércio tradicional. Estes são dados nacionais que não deixam de caracterizar a situação regional, nomeadamente, aquela vivida nos principais centros urbanos.
Embora o rol de lamentos e de críticas por parte do comércio tradicional de Ponta Delgada seja já uma característica da quadra natalícia, a verdade é que este ano o discurso mudou, sendo bastante mais incisivo, para não dizer de cariz fatalista.
Numa breve ronda pelos estabelecimentos comerciais da baixa, a opinião dos lojistas encontra força na nítida ausência de clientes ou mesmo de visita antes no interior das lojas.
Entre os comerciantes contactados, alguns acreditam ser este Natal um último fôlego para alguns comerciantes. E advertem: “A partir de Fevereiro ou Março muitos de nós vão fechar as portas e que disso ninguém duvide. Os próprios patrões não terão outra alternativa, pois como as coisas estão, não podem pagar ao pessoal, isto se quiserem manter o negócio rentável”, dizem.
Um pessimismo ainda atenuado pela necessária alegria que marca a quadra natalícia.


O tudo ou nada para o comércio tradicional   
Mais de 40 eventos com centenas de intervenientes fazem o programa sócio-cultural de animação de Natal e de Ano Novo da Câmara Municipal e Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada. O programa natalício pretende garantir uma animação diária, que dinamize o comércio tradicional e ofereça um programa cultural diversificado aos munícipes e a quem visita o concelho, num objectivo estratégico de consolidar a qualificação turística de Ponta Delgada.
Além dos eventos de animação pública propriamente ditos e da iluminação das ruas, o pretendido impulso a dar ao comércio da baixa da cidade compreende outros atractivos que incluem a disponibilização de estacionamento gratuito.
Mais uma vez, o dia 1 de Dezembro será o dia do Comércio por excelência, e um importante fôlego para muitos comerciantes.

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