Casa Pia

Presidente da Instituição não tem indícios de novos abusos sexuais

Presidente da Instituição não tem indícios de novos abusos sexuais

 

Lusa / AO online   Nacional   10 de Out de 2007, 16:02

A presidente do Conselho Directivo da Casa Pia garantiu hoje que não tem indícios de novos abusos sexuais dentro da instituição, como foi denunciado pela antiga provedora Catalina Pestana.
    "Garanto que não tenho indícios de que existam abusos sexuais nesta casa", afirmou Joaquina Madeira, em entrevista à agência Lusa.

    Catalina Pestana, que abandonou o extinto cargo de provedora em Maio deste ano, disse em entrevista ao semanário SOL, na sexta-feira passada, não ter "dúvidas nenhumas de que ainda existem abusadores internos na Casa Pia de Lisboa".

    A ex-provedora disse também que, um dia antes de abandonar o cargo, enviou uma carta ao Procurador-Geral da República (PGR) a relatar os eventuais abusos e as suas "fortes suspeitas de que redes externas continuam a usar miúdos da Casa Pia para abusos sexuais".

    Na entrevista à agência Lusa, a nova responsável pela instituição, Joaquina Madeira, disse que desde que está na instituição, há cerca de um ano e meio, não teve conhecimento de quaisquer novas situações de abuso sexual de alunos.

    "Não há nada que indicie comportamentos estranhos dessa ordem. Só posso falar do que sei. Deste ponto de vista não estou tranquila, nem nunca estarei tranquila. O problema existe em toda a sociedade, mas dentro da Casa Pia não tenho indícios, de maneira nenhuma, que me possa levar a aceitar que digam que existem abusos sexuais", acentuou.

    Joaquina Madeira esclareceu que não recebeu, até ao momento, dos funcionários qualquer participação sobre alegados abusos sexuais e que se "reúne regularmente com dirigentes e equipas técnicas sendo este um assunto sempre abordado".

    Quanto a eventuais redes externas que usem alunos da Casa Pia para abusos sexuais, Joaquina Madeira disse que Catalina Pestana "fez exactamente o que deveria ter feito".

    "Havendo suspeitas fez a apresentação da sua queixa ao Procurador-Geral da República", disse, acrescentando que Catalina lhe deu conhecimento disso.

    A Procuradoria-Geral da República confirmou à Lusa a abertura de um inquérito com base nas queixas de Catalina Pestana, mas a nova responsável pela Casa Pia de Lisboa disse que ainda não foi notificada pela PGR para ser ouvida nesse âmbito.

    "Não fui chamada ao Procurador, nem a Casa Pia foi notificada desse processo", garantiu.

    Joaquina Madeira, que integrou a comissão instaladora que delineou a reestruturação da Casa Pia após o escândalo de pedofilia com alunos da instituição, actualmente em fase de julgamento com sete arguidos, disse à Lusa que, apesar do reforço das medidas de controlo, segurança e prevenção, não se pode garantir "que a casa é totalmente segura".

    "Seria estultícia da minha parte dizer que qualquer casa deste tipo é segura. Sei é dizer que trabalhamos com as crianças no sentido de elas adquirirem as suas defesas próprias para se saberem proteger dentro, fora da casa, no caminho da escola, seja onde for", acentuou.

    Joaquina Madeira sublinhou que a Casa Pia de Lisboa (CPL) "tem as medidas de segurança normais" de instituições deste tipo, "com seguranças à porta que controlam sistematicamente as entradas e saídas e fazem a vigilância dentro do estabelecimento.

    "Temos 40 seguranças 24 horas por dia em todos os estabelecimentos e que fazem o controlo exaustivo de entradas e saídas com relatórios diários e vamos também apostar num sistema de vigilância electrónica".

    Por outro lado, adiantou, no passado havia 30 meninos com três monitores actualmente existem 12 a 14 meninos com quatro monitores e dois vigilantes.

    "São licenciados, qualificados e com supervisão, com controlo sistemático e formação contínua", disse.

    Além disso, acrescentou, as crianças que frequentam os lares "são acompanhadas pelos educadores, que, por sua vez, são acompanhados por uma equipa que reporta diariamente os acontecimentos do lar".

    "O sistema está criado para que possamos garantir às crianças e famílias que temos a segurança máxima possível nesta instituição, sabendo que uma parte da segurança são as defesas que cada um pode adquirir para se proteger de todas as situações que lhe possam sugerir", disse.

    A presidente do Conselho directivo disse que a CPL "aposta também na formação das crianças" desde a creche, estando em curso um programa integrado de prevenção de abusos sexuais (PIPAS), que visa formar, sensibilizar e informar da atitude e comportamentos que devem ter perante perigos que possam existir neste campo".

    "O abuso sexual já não é tabu", é um assunto falado diariamente, vincou.

    "A Casa Pia deve ser das instituições que mais em alerta está para o problema e tem obrigação de traduzir isso na sua organização e funcionamento. Seríamos muito irresponsáveis se não o fizéssemos. Este é um tema do nosso quotidiano", enfatizou.

    Joaquina Madeira destacou que "esta mancha (dos abusos sexuais que ocorreram) tem de ser lembrada diariamente", mas que a CPL tem também de a ultrapassar para enfrentar os novos desafios para o século XXI.

    "Não podemos é ter essa marca. É injusto porque nós fazemos todo o possível por ultrapassar sem esquecer, mas temos 3.200 crianças todos os dias nesta casa e temos de estar muito alegres e motivados para lhes transmitir isso. Confiança, motivação e alegria todos os dias, é esse o melhor serviço que podemos prestar e precisamos de ajuda para fazer isso", acrescentou.

    A responsável pela instituição disse que a nova política da Casa Pia assenta na transparência, "para que as pessoas no exterior possam perceber o que se passa lá dentro e como se passa".

    "A casa está preparada para ter um projecto de futuro. Está motivada para construir esse projecto e tem condições para o fazer, mas precisamos do contributo de todos, de críticas construtivas e fundamentadas. Não se pode deitar palavras ao vento".

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