Foi também aprovada a criação de uma nova associação para o sector mas as conquistas negociais com o Governo não são consensuais para muitos empresários.
Em causa está o facto da maioria das medidas de apoios ao sector já terem sido aprovadas na segunda-feira mas, na ocasião, um grupo de camionistas do Carregado, liderados por Silvino Lopes, não acatou a decisão da comissão que fora eleita no sábado numa reunião magna, no sábado.
“Adiou-se a paralisação por mais 48 horas e o que ganhamos? A morte de uma pessoa e camiões vandalizados”, desabafou Jorge Lemos, um dos elementos eleitos da comissão que negociou com o Governo o pacote de medidas e que foi apresentado como uma conquista negocial.
Esta noite, o porta-voz do movimento dos transportadores presentes, António Lóios, rejeitou essas acusações, sustentando que foi conquistado o “respeito do Governo” para o sector.
Os transportadores presentes “tomaram a decisão de começar a negociar com o Governo uma série de medidas de acordo com necessidades que o sector merece”.
Só após a insistência dos jornalistas é que António Lóios explicou algumas das medidas, entre as quais a possibilidade dos empresários só virem a pagar o IVA ao Estado após boa cobrança.
No entanto, essa medida não está prevista no acordo celebrado quarta-feira com a tutela, explicou outra fonte do movimento.
Quando à questão do preço dos combustíveis, António Lóios considerou que a proposta do Governo foi a “possível” e um sinal de respeito “do sector com a dignidade que ele merece”.
“Há uma abertura do Governo para negociar connosco”, limitou-se a dizer o empresário, salientando que este “movimento espontâneo” de transportadores foi considerado o “parceiro legítimo” na discussão.
Agora, António Lóios espera que em 24 horas os abastecimentos de combustíveis e de mercadorias sejam repostos com normalidade, tendo sido já avisados os piquetes para desmobilizar.
Na reunião da Batalha, os transportadores aprovaram a criação de uma nova estrutura associativa, depois da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) se ter demarcado deste protesto que paralisou o País durante três dias.
“O Governo entendeu e muito bem, em sede própria, que esta organização tinha legitimidade para negociar”, acrescentou António Lóios, que foi nomeado quarta-feira porta-voz do movimento, sucedendo a Silvino Lopes, um pequeno empresário do Carregado.
Para Silvino Lopes, que integrou a primeira comissão eleita na reunião do fim-de-semana, o prolongamento da paralisação acabou por compensar o sector, já que algumas das questões “ficaram mais bem esclarecidas”.
“Abriu-se uma porta. Penso que valeu a pena ter esperado porque houve medidas que não estavam sequer pensadas e agora estão a ser ponderadas”, explicou Silvino Lopes, rejeitando as queixas feitas por alguns transportadores que acusam os promotores de terem prolongado a paralisação para forçar a criação de uma nova associação sectorial.
“Isso é uma falsa questão. A ANTRAM é que se demarcou de nos representar e felizmente tivemos um ministro que contactou um cidadão, que sou eu, e que tinha voz activa nos piquetes” espalhados pelo País.
“Penso que ganhámos todos, quem perdeu foi a ANTRAM”, acrescentou.
Paralisação dos transportes termina com "acordo possível"
As três centenas de transportadores presentes na Batalha suspenderam hoje de madrugada a paralisação de camiões, depois do acordo "possível" com o Governo, e dizem esperar que a normalização de combustíveis e mercadorias seja resposta em 24 horas.
Autor: Lusa / AO Online
