Sánchez aconselha homólogos europeus a falarem com Vaticano sobre imigração

O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, voltou a condenar os centros de deportação de imigrantes aprovados pelo Parlamento Europeu e aconselhou os homólogos de países da União Europeia (UE) a falarem com o Vaticano sobre este tema



Sánchez falava em Bruxelas, numa conferência de imprensa após a cimeira de líderes europeus que decorreu na quinta-feira e hoje e durante a qual, segundo fontes citadas pelos meios de comunicação social espanhóis, ouviu críticas de outros chefes de Estado e de Governo à política de imigração de Espanha.

Decisões como o processo extraordinário de regularização de imigrantes lançado este ano pelo Governo espanhol, reivindicado e apoiado pela Igreja Católica e as associações patronais, foram alvo de críticas por chefes de Governo como as primeiras-ministras de Itália e Dinamarca (Giorgia Meloni e Mette Frederiksen, respetivamente), disseram as mesmas fontes.

"Quem vive no nosso país e está a contribuir para o seu desenvolvimento económico, merece ter os mesmos direitos que qualquer outro cidadão", afirmou Sánchez, sobre o processo de regularização.

Sánchez sublinhou o bom desempenho da economia espanhola, para o qual tem contribuído a imigração, e defendeu também os protocolos assinados com países africanos, que tem diminuído a chegada de pessoas a Espanha de forma irregular.

Criticou, por outro lado, os centros de deportação em países terceiros, que considerou nada resolverem, como já está provado por algumas experiências, além de atentarem contra valores europeus.

"É um prazer falar, debater e partilhar as experiências de êxito da política migratória que tem Espanha porque penso que temos muito a dizer. E se têm dúvidas, que falem com o Vaticano", acrescentou.

Durante uma visita a Espanha de 06 a 12 de junho, o Papa Leão XIV pediu à Europa um "exame de consciência" em relação à imigração e apelou ao acolhimento e integração dos migrantes, colocando "a dignidade humana" no centro das políticas.


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