Jorge Rita aprova reconversão de leite para carne mas em todas as ilhas

O presidente da Federação Agrícola dos Açores (FAA) defendeu que uma eventual autorização excecional para a reconversão de explorações agrícolas de gado de leite para carne deve abranger todas as ilhas e não apenas uma



“Eu não posso votar a favor, como presidente da Federação, que se cinja este modelo apenas a São Jorge, quando outras ilhas também precisam de reconversão das suas explorações. A minha opinião é de que sim, que se faça, mas abrangente a mais ilhas”, insistiu Jorge Rita, ouvido na Comissão de Economia da Assembleia Regional, reunida em Ponta Delgada.

A audição do presidente da FAA surge na sequência de uma proposta apresentada pelo deputado do CDS-PP, Luís Silveira, que propõe ao Governo Regional a “urgente” atribuição de direitos individuais de prémios à vaca aleitante (gado de carne), às explorações agrícolas da ilha de São Jorge, tendo em consideração critérios socioeconómicos e territoriais.

A medida surge na sequência da crise que se vive atualmente nas cooperativas agrícolas de laticínios de São Jorge, que estão a braços com excesso de leite e de queijo armazenado, que não conseguem escoar no mercado nacional e internacional, o que poderá provocar uma quebra acentuada no preço pago ao produtor.

“O leite de São Jorge tem de ser, e deve ser, melhor pago do que em qualquer parte do nosso país ou da nossa região, porque tem fatores de produção diferenciados”, justificou o parlamentar centrista durante a audição parlamentar, lembrando que os custos de produção são muito superiores, porque a transformação do leite em queijo é também muito mais exigente.

O presidente da Associação Agrícola de São Jorge, João Sequeira, também ouvido hoje pelos deputados, entende que a reconversão pontual da produção de leite para carne, como propõe agora o CDS, poderá ajudar a evitar uma crise na produção de queijo na ilha.

“Para chegar a uma situação destas, eu continuo a dizer que alguma coisa se passa”, desabafou aquele dirigente associativo, adiantando que a Lactaçores, a empresa que vende os queijos produzidos em São Jorge, tem de explicar à produção “o que é que o consumidor pretende.

João Sequeira entende que uma das soluções para facilitar o escoamento do tradicional queijo de São Jorge poderá passar por fabricar queijos “mais pequenos”, em vez dos tradicionais queijos DOP (denominação de origem protegida), que pesam entre 8 a 12 kg, mas que são vendidos fatiados para consumo doméstico.

O presidente da Uniqueijo, a União de Cooperativas de Lacticínios de São Jorge, António Aguiar, já tinha alertado, em maio, numa outra audição parlamentar, para a crise que a produção de queijo atravessa, devido ao aumento da produção de leite, mas também à guerra no Médio Oriente.

“Infelizmente, quando surge uma crise, o queijo de São Jorge, que é um queijo mais caro, é aquele que sofre logo de início a redução de vendas e estamos a sentir isso, neste momento, na pele”, desabafou, na altura, aquele dirigente associativo, acrescentando que os produtores de leite da ilha já receberam instruções para “não ultrapassarem os montantes de leite entregues no ano passado”.

Atualmente, existem mais de 200 produtores de leite na ilha de São Jorge que entregam mais de 31 milhões de litros de leite por ano, em quatro cooperativas de laticínios, que são canalizados, quase exclusivamente, para a produção do famoso queijo de São Jorge.


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Jaime Vieira, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, afirmou ao Açoriano Oriental que a autarquia não decidirá sobre uma eventual transferência da EB1/JI Foros para a nova escola da Gaspar Frutuoso, uma vez que “não tem competência nem legitimidade para abrir ou encerrar estabelecimentos de ensino”