Paquistão: Detidas 500 pessoas, entre as quais vários líderes da oposição

Paquistão: Detidas 500 pessoas, entre as quais vários líderes da oposição

 

Lusa / AO online   Internacional   4 de Nov de 2007, 14:59

Cerca de 500 activistas da oposição foram detidos hoje pelo regime de Pervez Musharraf no primeiro dia do estado de emergência declarado sábado à noite no Paquistão, que continuará em vigor "pelo tempo que for necessário", segundo o primeiro-ministro Shaukat Aziz.
    As forças de segurança realizaram uma vaga de detenções maciça que abrangeu líderes da oposição, activistas e algumas figuras políticas de relevo em várias cidades do país, em virtude das medidas extraordinárias decretadas por Musharraf.

    "Houve entre 400 e 500 detenções preventivas no país", confirmou Aziz numa conferência de imprensa.

    Entre os detidos encontram-se o presidente interino da Liga Muçulmana, do exilado Nawaz Sharif, além de Javed Hashmi, presidente da Associação de Magistrados do Tribunal Supremo, e a activista de direitos humanos Asma Jahangir, presidente da Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, segundo a página web do canal Geo TV.

    Também foi posto sob detenção domiciliária o ex-jogador de crícket Imran Khan, que actualmente lidera a formação opositora Teehrik-e-Insaf, embora fontes do seu partido tenham indicado que este logrou iludir a vigilância policial e fugir da sua residência.

    Na lista de prisioneiros está, além disso, o chefe dos serviços secretos paquistaneses (ISI) durante o primeiro governo de Benazir Bhutto (1988-1990), Hamid Gul, conhecido por algumas declarações extremistas polémicas e pelas suas duras críticas à política dos Estados Unidos.

    De acordo com Geo TV, Gul foi detido hoje durante um acto público em que denunciou que o actual estado de sítio não é de excepção, como afirma o presidente Pervez Musharraf, mas de "lei marcial", antes de ser metido à força num carro da polícia.

    O primeiro-ministro paquistanês referiu que o estado de excepção foi imposto devido aos "muitos desafios" com que o Paquistão se confronta.

    Também disse que, nas circunstâncias actuais, o parlamento poderá vir a adiar as eleições gerais "por um ano", mas esclareceu que o governo não tomou ainda qualquer decisão nesse sentido.

    "Ainda não deliberámos, mas sob o estado de emergência o parlamento pode prevalecer por mais um ano", disse Aziz, em referência uma cláusula legal que permite estender a legislatura por um máximo de 12 meses em situações excepcionais."

    A actual legislatura termina oficialmente no próximo dia 15 e está previsto, em princípio, que as eleições gerais tenham lugar no início do próximo ano.

    Desde a declaração do estado de excepção, as emissões dos canais noticiosos privados do Paquistão estão interrompidas, o que transformou as páginas Internet das televisões e periódicos a única fonte de informação independente sobre a situação no país.

    Além disso, foi estabelecido um código de conduta que proíbe a publicação de informações que "difamem, ponham a ridículo ou afectem a reputação" do chefe de Estado, de membros das Forças Armadas ou de instituições.

    Apesar destas medidas, as principais cidades do Paquistão apresentavam hoje um aspecto de relativa normalidade, com os estabelecimentos comerciais abertos e os transportes públicos a funcionar.

    Em Islamabad, no entanto, podia ver-se uma forte presença policial em vários pontos-chave da cidade, como os arredores do parlamento e a sede do Supremo Tribunal, cujo acesso está bloqueado desde sábado à noite.

    O estado de emergência foi hoje duramente criticado pelos meios de imprensa, que qualificaram a medida de "draconiana" e um "segundo golpe" de Musharraf (após o que deu em 1999 para atingir o poder), bem como pelos diferentes partidos da oposição.

    A antiga primeiro-ministro Benazir Bhutto, que regressou sábado à pressa a Karachi proveniente do Dubai após ter tomado conhecimento do estado de emergência, também criticou a decisão de Musharraf e considerou-a, na prática,"uma mini-lei marcial".

    Musharraf declarou o estado de excepção alegando o aumento da violência extremista e a "interferência" do poder judicial na política do governo, mas a oposição considera que o fez para evitar o esperado veredicto do Tribunal Supremo, que poderia invalidar a sua recente reeleição como presidente.
Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.