Açoriano Oriental
No Dia Europeu da Terapia da Fala escola de Água de Pau alerta que conversar é o melhor remédio

A conversa entre pais e filhos é uma das formas de evitar uma intervenção em terapia da fala provocada pelo desenvolvimento tardio daquela competência, atribuído também a uso prolongado de chuchas ou da ingestão de alimentos pouco sólidos.

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Foto: CML
Autor: AO Online/ Lusa

No Dia Europeu da Terapia da Fala, que hoje se assinala, Cátia Silva, terapeuta na escola básica de Água de Pau, no concelho da Lagoa, em São Miguel, nos Açores, advertiu, em declarações à Lusa, que “há lacunas do ponto de vista da interação” e lembra que como é importante conversar.

Na escola onde trabalha Cátia Silva, o Dia Europeu da Terapia da Fala vem sendo comemorado nos últimos dias, com a “Semana do blá blá blá”, uma iniciativa que contou com várias atividades, alargadas a todos os ciclos da escola que alberga alunos do pré-escolar ao 3.º ciclo.

Cátia Silva nota que “as pessoas acham que as crianças falam de uma forma cada vez pior, com uma fala cada vez mais infantilizada”, e que há “um desenvolvimento mais tardio”, que se deve, entre outras coisas, a “lacunas do ponto de vista da interação, da comunicação”.

A terapeuta da fala lembra que as “conversas promovem o desenvolvimento de competências linguísticas” e acredita que, hoje em dia, “os pais querem muito dar tudo aos filhos, mas depois não se explora aquilo que se tem”.

“Os pais, as pessoas, são o melhor brinquedo de uma criança”, afirma a técnica.

Questões como a alimentação que, mesmo em idades mais desenvolvidas, entre os seis e os dez anos, continua a ser “muito pastosa, à base de sopas, pão, gelatina e iogurtes e com poucos sólidos”, ou “hábitos orais prolongados como o uso tardio de chuchas e biberons” são fatores que observa com frequência nos alunos e que podem levar à necessidade de intervenção, aponta.

Na escola de Água de Pau “existem muitas crianças com problemáticas do desenvolvimento, que são independentes do meio onde as crianças vivem”.

Contudo, o facto de haver muitas famílias numerosas, uma elevada taxa de analfabetismo ou uma reduzida alfabetização, contribui para que se estimule pouco as crianças, “o que traz implicações, não só para a linguagem, como, também, para a fala”, considera.

A terapeuta lembra ainda que, naquela zona de São Miguel, “grande parte da população faz a omissão do ‘lhe’, que é uma omissão característica” local, que transforma, por exemplo, a palavra “ilha” em “ia”, ou “filho” em “fio”.

No dia que encerra a “Semana do blá blá blá”, os encarregados de educação são chamados à biblioteca da escola, para uma atividade em que Cátia Silva espera “sensibilizar as famílias para a alteração de alguns hábitos e para os impactos que isso pode ter na fala”, mas também mostrar o trabalho desenvolvido com os alunos do ensino pré-escolar.

O vídeo “Blá blá blá – Aprender a falar com nicas de gente” mostra “uma atividade desenvolvida ao longo de algumas semanas com o pré-escolar, em que foram explorados todos os sons da língua portuguesa, à exceção das vogais”, já que “geralmente os sons em que há mais erros, ou acontecem mais trocas, é ao nível das consoantes”.

Neste exercício, a exploração dos sons passava, também, por perceber “como é que a boca e os órgãos orais” fazem para produzir cada som, uma explicação que foi registada num vídeo em que os alunos do pré-escolar eram os protagonistas, e que podia ser visto na “Casa do blá blá blá”, instalada na biblioteca, onde se podia visitar também “um modelo de uma boca gigante”, feita por alunos de Educação Visual e Tecnológica do 6.º ano.

No processo terapêutico, “primeiro é preciso fazer uma consciencialização fonoarticulatória, que é explicar à criança como é que se produz o som”, explica Cátia Silva.

Ao longo da semana, a biblioteca escolar de Água de Pau recebeu, ainda, a “Batalha da Palavrada”, um concurso de trava-línguas para alunos do 2.º ciclo, e um exercício de sensibilização para a produção dos sons, com a “dinamização de algumas histórias, em que havia exagero e produção de sons onomatopeicos, para sensibilizar para a forma como a boca produz sons”.

Esta última atividade tinha continuidade noutra, “em que os meninos tinham de manipular o robot e depois memorizar e evocar a onomatopeia aprendida com as histórias”.


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