Negociações de parceria Europa-Rússia podem começar em breve


 

Lusa / AO online   Internacional   26 de Out de 2007, 18:30

O presidente russo, Vladimir Putin, disse sexta-feira, na abertura da Cimeira de Mafra que as negociações para um novo acordo de parceria UE-Rússia, bloqueadas há um ano pela Polónia, vão poder começar em breve.
"Esperamos poder não só começar em breve as negociações para um novo acordo como também ter um projecto de acordo num futuro próximo", disse Putin no início da sessão de trabalho da Cimeira UE-Rússia a decorrer em Mafra (arredores de Lisboa).

Putin não se referiu ao papel que pode ter o novo governo polaco, dirigido pelo partido liberal e pró-europeu Plataforma Cívica, cujo líder, Donald Tusk, já afirmou ter como uma prioridade melhorar as relações com Moscovo.

Em declarações à imprensa antes da reunião de Mafra, a comissária europeia para as Relações Externas, Benita Ferrero-Waldner, disse que as negociações com a Rússia podem começar na próxima cimeira euro-russa, prevista para Maio de 2008.

Na sua intervenção, o presidente russo apelou, por outro lado, aos europeus para que deixem de lado as reservas quanto a uma presença importante das empresas russas nos seus mercados.

"A ideia de que os russos chegam com o seu dinheiro assustador, os seus horríveis investimentos, e que querem comprar tudo, é no mínimo cómica", disse Putin.

O novo acordo de parceria UE-Rússia deve incluir um capítulo decisivo sobre as questões energéticas, que os europeus querem ver tratadas com maior transparência e reciprocidade e nas quais os russos querem ver consagrada a sua possibilidade de investir nas redes de distribuição europeias.

As negociações entre Bruxelas e Moscovo para um novo Acordo de Parceria Estratégica UE/Rússia encontram-se num impasse desde a penúltima Cimeira entre os dois blocos, em Helsínquia, a 24 de Novembro de 2006.

Antes da intervenção inicial de Putin, o primeiro-ministro português, José Sócrates, que chefia a delegação da UE à Cimeira de Mafra, defendeu uma "relação estável" entre a União Europeia e a Rússia, considerando-a essencial para a paz no Mundo.

"Os políticos têm que saber responder às incertezas e às tensões do mundo actual. Nada contribuirá mais para a paz no Mundo do que uma boa relação estável e duradoura entre União Europeia e Rússia", declarou Sócrates, presidente em exercício do Conselho Europeu de líderes da UE.

Na sua curta declaração, o primeiro-ministro português dirigiu-se directamente ao chefe de Estado russo, Vladimir Putin, para lhe deixar a mensagem de que a delegação europeia partia para a Cimeira de Mafra com "espírito construtivo".

"Neste ambiente tão inspirador como o de Mafra, a delegação europeia parte para a cimeira com uma vontade muito construtiva e positiva. Este é o espírito que nos anima", frisou.

Para José Sócrates, os dirigentes políticos da UE e da Rússia deverão assumir o desafio "de estar à altura dos tempos".

"Estou certo que esse é o desejo comum dos cidadãos russos e da União Europeia", disse.

O Palácio-Convento de Mafra, onde decorre a Cimeira, acolheu hoje uma centena de membros das duas delegações, um terço dos quais integrados na comitiva russa, que é liderada pelo presidente Putin e inclui, entre outros, Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Iastrmjembski, assessor do Kremlin para as relações com a União Europeia, Victor Jristenko, ministro da Indústria e Energia, e Andrei Fursenko, ministro da Educação e da Ciência da Rússia.

A delegação da UE, liderada por José Sócrates, integra o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, o Alto Representante para a Política Externa, Javier Solana, o chefe da diplomacia portuguesa, Luís Amado (presidente em exercício do Conselho de Ministros da UE), a comissária europeia para as Relações Externas, Benita Ferrero-Waldner, e o comissário europeu para o Comércio, Peter Mandelson.

Apesar do tradicional aparato da delegação russa e do peso político da delegação da UE, a Cimeira de Mafra ocorre num momento que é ainda pouco favorável à resolução das principais divergências entre os dois blocos, esperando-se apenas a assinatura de dois acordos específicos nas áreas do combate ao tráfico de droga e das importações de produtos em aço.

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