“A Azores Wave Conference nasce da profunda convicção (...) de que as nossas ondas não são apenas um fenómeno físico ou um recurso desportivo, de turismo ou lazer. Elas são a expressão da nossa identidade, o pilar da nossa biodiversidade e um motor económico vital para o futuro do nosso país e do nosso arquipélago”, afirmou André Avelar, coordenador regional da Save The Waves nos Açores, na sessão de abertura da Azores Wave Conference.
Ontem decorreu na Universidade dos Açores a Azores Wave Conference, que juntou especialistas, surfistas, cientistas, entidades públicas e comunidade para discutir o papel das ondas na sustentabilidade, economia, cultura e proteção costeira.
Nesse contexto, André Avelar lembrou que “nós temos sal nas veias e com orgulho dizemos que o mar é português, tal como a nossa língua materna”, mas que “esse orgulho traz também responsabilidade na gestão, na proteção e nos diferentes usos”.
“Não podemos continuar a olhar para a nossa orla costeira como um paradigma das construções dos anos 80. Temos de ter consciência e de usar os nossos recursos naturais de forma diferente do que se fazia antigamente, porque o tempo da exploração cega deu lugar às palavras de ordem: gestão, equilíbrio e sustentabilidade. Este futuro exige de nós novas tecnologias e métodos científicos que garantam a sustentabilidade do ecossistema”, afirmou.
E acrescentou: “O conhecimento humano, o conhecimento empírico e a empatia com o ambiente são a melhor forma de estarmos em contacto com a natureza. Por isso, convido-vos a todos a apanharem esta onda gigante de mudança. O mar é o espaço mais democrático que existe: não escolhe, recebe e oferece a sua energia de forma igual a todos. Vamos usar o nosso conhecimento para proteger o azul que nos define como humanidade.”
