Açoriano Oriental
Museu em Ponta Delgada inaugura sala para expor obras do pintor Domingos Rebêlo

O Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada, inaugura sexta-feira uma sala dedicada ao pintor Domingos Rebêlo onde passam a estar expostas obras, "algumas nunca vistas", do acervo da instituição e dos herdeiros do artista nascido em São Miguel.

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Foto: Açoriano Oriental/Ana Carvalho Melo
Autor: Lusa/AO Online

“É uma sala, no Núcleo de Santa Bárbara, com obras do artista, umas do museu e outras que estão em depósito da instituição doadas pelos herdeiros do próprio artista, obras que nunca foram vistas”, disse hoje à agência Lusa o diretor da instituição, Duarte Melo, acrescentando que a inauguração da sala é um tributo no ano em que se completam os 45 anos sobre a morte de Domingos Rebêlo, figura central do panorama artístico açoriano do século XX.

Ao todo, estarão em exposição "cerca de 50 obras do artista, peças que serão renovadas" ao longo desta mostra de longa duração, com curadoria de Sílvia Massa, adiantou o diretor do Museu Carlos Machado.

Domingos Maria Xavier Rebêlo nasceu a 03 de dezembro de 1891, em Ponta Delgada, São Miguel, e morreu a 11 de janeiro de 1975, em Lisboa.

"Há muitas obras que são do desconhecimento do público que estavam nas mãos da família de Domingos Rebêlo e que vão ser mostradas pela primeira vez numa instituição de serviço público, o Museu Carlos Machado, e que tem obrigação de divulgar o património, conservá-lo e de estudá-lo", salientou Duarte Melo.

Com a inauguração da sala para a exposição do núcleo de obras de Domingos Rebêlo existente no acervo e nas coleções particulares de Luís Rebêlo e de Pedro Rebêlo (dois netos e herdeiros do pintor), "em regime de depósito no museu desde meados de 2019", a instituição passa a ter "dois grandes artistas residentes no núcleo".

"É para nós um momento de grande alegria, porque o museu estabelece a relação com os seus públicos através da exposição e passamos a ter no Núcleo de Santa Bárbara os dois artistas de relevância para os Açores, Canto da Maia - com uma exposição de longa duração - e agora Domingos Rebêlo", salientou o responsável.

Duarte Melo sublinhou que a inauguração, na próxima sexta-feira pelas 18:00 locais (19:00 em Lisboa), ocorre no ano em que se completam "os 45 anos sobre a morte de Domingos Rebêlo", um "artista de grande importância para o povo dos Açores pela vertente identitária que ele representa muito bem" e que soube "pintar a alma açoriana".

"A abordagem expositiva ao conjunto da obra artística existente nas três coleções expõe o percurso de Domingos Rebêlo através das suas obras produzidas entre 1905 e 1947, dando a conhecer novas temáticas, além de buscar a visão panorâmica da globalidade do percurso multifacetado trilhado ao longo de mais de seis décadas pelo pintor", explica a instituição.

As obras em exposição encontram-se distribuídas por seis núcleos temáticos, segundo nota divulgada pelo museu.

Com formação artística realizada entre 1907 e 1913, em Paris, Domingos Rebêlo marcou a sua entrada na cena artística portuguesa na exposição coletiva “Arte Livre”, realizada em 1911, em Lisboa.

Depois da formação em Paris, onde viveu seis anos, Domingos Rebêlo regressou, em 1913, a São Miguel, onde permaneceu 30 anos, deslocando-se de vez em quando a Lisboa, onde participou com regularidade nas exposições anuais da Sociedade Nacional de Belas Artes, de que era sócio e de que seria mais tarde dirigente.

A partir de 1942, o pintor mudou-se, definitivamente, para Lisboa, cidade onde morreu em 1975.

Foi aluno, professor e diretor da antiga Escola Industrial e Comercial de Ponta Delgada, estabelecimento de ensino que a partir de 1979 passou a denominar-se Escola Secundária Domingos Rebelo.

O pintor micaelense "alcançou várias distinções e prémios ao longo da carreira. Dentro da sua produção multifacetada, cumpre mencionar a gravura e a escultura em madeira de tipos populares de notório cariz etnográfico existente na coleção do Museu Carlos Machado", explica a nota.


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