Listas de espera são um problema "muito grave"

 Listas de espera são um problema "muito grave"

 

Lusa / AO online   Nacional   25 de Out de 2007, 11:21

A maioria dos portugueses considera "muito grave" o problema das listas de espera e acha "injusto" que as pessoas sejam eliminadas das listas quando recusam a data que lhes é proposta para a cirurgia, revela um estudo divulgado esta quinta-feira.
De acordo com um estudo sobre cirurgias electivas realizado em Setembro pela Novadir para a empresa Corrida Consulting, a que a agência Lusa teve acesso, 99 por cento dos inquiridos classificaram de muito grave e grave este problema das listas de espera.

O estudo teve como objectivo auscultar a população sobre a problemática das listas de espera das cirurgias electivas, nomeadamente aspectos gerais sobre o problema, número de pessoas que já se submeteram a este tipo de cirurgias, número de pessoas que já estiveram em lista de espera, motivo de recusa da data de cirurgia, marcação das cirurgias nas datas mais convenientes, implicações na carreira devido à ausência no trabalho e opiniões sobre implicações de meter baixa.

Este estudo demonstrou que mais de metade da população inquirida (59 por cento) sabe que um número significativo de pessoas não comparece ou recusa a data da cirurgia que lhes é proposta.

Ao todo, 72 por cento dos inquiridos classifica de injusto a decisão de eliminar os doentes inscritos nas listas de espera que não comparecem na data agendada, contra apenas 22 por cento que considera justo o actual sistema em vigor.

Do total dos inquiridos, 27 por cento já foi submetido a uma intervenção cirúrgica electiva e, destes, 46 por cento já estiveram em lista de espera.

Dos inquiridos que realizam algum tipo de cirurgia electiva sem ter passado por listas de espera (43 pessoas), a maioria (72 por cento) conseguiu marcar a intervenção numa data à sua conveniência.

Da população inquirida que já realizou uma cirurgia electiva e esteve em listas de espera, 89 por cento não teve que recusar a data proposta.

Contudo, dos quatro indivíduos que referiram ter de recusar a data, três mencionaram ter sido excluídos das listas.

Mais de metade dos inquiridos refere que necessita até um mês de antecedência para agendar a cirurgia, e cerca de 75 por cento da população a quem foi feito o questionário considera que os portugueses têm medo de ser prejudicados profissionalmente se meterem baixa.

O estudo foi realizado através de 300 entrevistas telefónicas a indivíduos de ambos os sexos com mais de 25 anos, pertencentes às classes sociais média alta, média e média baixa, residentes na Grande Lisboa, Grande Porto e Litoral em lares com telefone fixo.

Segundo Joaquim Sá Couto, director da Corrida Consulting, este estudo vem demonstrar que grande parte das pessoas precisa de tempo para planear a cirurgia, sendo que muitos apontam as férias como período preferencial.

Esta empresa já apresentou ao Governo um novo modelo que visa resolver muitos dos problemas que afectam o Serviço Nacional de saúde, entre os quais as listas de espera.

"Para resolver o problema das listas de espera, o problema deveria ser abordado de uma forma personalizada", defendeu o médico, para quem os doentes não devem ser encaminhados para um contingente geral.

"O médico deve agendar com o próprio doente a data da cirurgia, dentro de um prazo longo, entre 12 e 18 meses", disse.

Na sua opinião, muitos dos doentes que fazem parte do contingente geral, quando são chamados, acabam por recusar aquela data proposta por questões pessoais ou profissionais.

"Se temos um engarrafamento à entrada dos doentes, depois a produção nunca consegue os níveis que deveria atingir", disse, considerando que, se os médicos marcassem as cirurgias em consonância com os doentes, "seria possível aumentar a produtividade, porque os doentes não faltariam à cirurgia".

"Os médicos, ao gerir os casos dos seus doentes, podem ser considerados gestores de projectos numa perspectiva de produção", sustentou.
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