Cimeira do G8

Líderes do G8 pedem responsabilidade a Teerão

Os dirigentes do G8 apelaram, no final da cimeira de Toyako (Japão), a Teerão para “agir de maneira responsável” em relação aos vizinhos, citando o Iraque, o Afeganistão e o processo de paz israelo-palestiniano.


O G8 (Grupo dos sete países mais industrializados - Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Canadá, Estados Unidos e Japão - mais a Rússia) também exigiu hoje à Junta Militar da Birmânia (Myanmar) a “imediata” libertação da Nobel da Paz e líder da oposição birmanesa, Aung San Suu Kyi, e dos restantes prisioneiros políticos.

    “Pressionamos o Irão a agir de maneira mais responsável e construtiva na região, particularmente no contexto do processo de paz (israelo-palestiniano) e da estabilidade do Iraque e do Afeganistão”, de acordo com a declaração final da cimeira do G8 de Toyako.

    Os Estados Unidos, em particular, acusam com insistência Teerão de se ingerir nos assuntos internos do Iraque e do Afeganistão, dois países que enfrentam uma grave instabilidade e onde Washington está fortemente envolvida militarmente.

    O Irão também é acusado com regularidade pelos ocidentais de apoiar movimentos islamitas radicais que se opõem aos esforços de paz israelo-palestinianos.

    Na declaração, os líderes do G8 voltaram a apelar Teerão para suspender as operações de enriquecimento de urânio, depois de na terça-feira terem emitido um comunicado específico com este apelo às autoridades iranianas.

    “Exprimimos a nossa grande preocupação em relação ao facto do Irão não aceitar as obrigações resultantes das sucessivas resoluções do Conselho de segurança da ONU” para garantir que o programa nuclear iraniano não tem qualquer objectivo militar, refere o texto.

    Em relação ao regime birmanês, liderado pelo general Than Shwe, os oito pedem a libertação de todos os presos políticos, incluindo Aung San Suu Kyi, e o início do diálogo político com a oposição num processo de transição transparente para um regime democrático.

    A Junta Militar prorrogou a 27 de Maio último e por mais um ano a detenção de Suu Kyi, que passou mais de 12 dos últimos 18 anos em prisão domiciliária em Rangun.

    Aung San Suu Kyi foi detida pela primeira vez em 1989, um ano antes do partido que lidera ter arrasado nas últimas eleições democráticas celebradas no país e cujos resultados não foram reconhecidos pelos generais que governam a Birmânia desde 1962.
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