Deloitte identifica várias falhas na logística e compras do HDES

Relatório da Deloitte aponta 59 problemas críticos no funcionamento da logística e compras do HDES, e defende uma reorganização estrutural com maior digitalização e centralização de processos



O diagnóstico elaborado pela Deloitte Business Consulting concluiu que o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), enfrenta fragilidades significativas nos serviços de apoio, logística e compras associados ao Bloco Operatório, defendendo uma reorganização estrutural e uma aposta reforçada na digitalização dos processos. 

Segundo o estudo que foi publicado na ALRAA no âmbito da resposta ao requerimento do PS/Açores, o relatório identifica 59 pontos críticos distribuídos por várias áreas operacionais, com especial incidência na Gestão de Compras e no Aprovisionamento. 

Segundo a consultora, o modelo atualmente em funcionamento é “fragmentado e não totalmente centralizado”, gerando ineficiências, falta de coordenação e dificuldades na definição de responsabilidades. O documento refere ainda que o sistema Glintt está subaproveitado, mantendo-se uma forte dependência de processos manuais e documentação em papel. Além disso, afirma que os processos de planeamento são pouco estruturados, impactando em compras reativas e pontuais.

Na área do Aprovisionamento, a Deloitte alerta para problemas frequentes de stock, compras não planeadas e limitações físicas dos armazéns, apontando igualmente para a necessidade de reorganizar as equipas e melhorar os mecanismos de controlo logístico. A Farmácia hospitalar é descrita como uma “estrutura paralela de compras em silo”, enquanto no Bloco Operatório os consultores identificaram situações de descontrolo logístico, nomeadamente a entrega direta no Bloco de materiais sem passagem pelo Aprovisionamento, pedidos efetuados fora do sistema Glintt e inexistência de um catálogo estruturado de materiais. 

Também os serviços financeiros são alvo de críticas, devido à forte componente manual dos processos, “ampliando risco de erro e atrasos”, e à falta de planeamento e orçamentação, limitando a monitorização.

Para responder aos problemas identificados, a Deloitte propõe sete medidas estratégicas, entre as quais a centralização das compras num serviço especializado por categorias e a transformação do atual Aprovisionamento numa estrutura de Logística. 

A consultora recomenda ainda que todas as requisições de material passem obrigatoriamente pela Farmácia e pela Logística, garantindo maior controlo de stock e uniformização de procedimentos. O plano inclui igualmente a criação de um catálogo único de materiais, a eliminação do papel nas requisições, a utilização plena das funcionalidades do sistema Glintt e a implementação gradual das mudanças através de projetos-piloto.

O relatório alerta, contudo, para riscos como a resistência à mudança por parte das chefias e equipas operacionais, além da sobrecarga das lideranças durante a transição. Para minimizar esses impactos, a Deloitte recomenda, por exemplo, equipas dedicadas de gestão de projeto, maior envolvimento das chefias e reforço da formação e comunicação interna.

O Açoriano Oriental contactou o HDES para mais esclarecimentos, com o hospital a remeter para mais tarde. 

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