Investigação sobre caso da creche vai continuar

Certidão extraída do processo principal pretende ouvir os antigos elementos da direção da Casa do Povo de Rabo de Peixe, depois de em julgamento diversas testemunhas terem dado conta de denúncias sem eco



O caso dos maus-tratos a crianças no Centro de Apoio à Criança n.º 1 da Casa do Povo de Rabo de Peixe não terminou com a leitura da sentença das quatro arguidas, pois foi extraída uma certidão para averiguar a extensão dos casos, a atuação de mais cinco pessoas, entre elas duas educadoras, uma auxiliar e dois membros da anterior direção.
Isso mesmo afirmou a juíza Sónia Braga, ontem, durante a leitura da sentença: “Onde estão os dirigentes que permitiram isto?”.

De recordar que, durante o julgamento das quatro antigas funcionárias da creche, diversas testemunhas revelaram ter transmitido à direção anterior denúncias sobre alegados maus-tratos, mas que nunca foram tidas em conta.

“Eu via que a educadora Xé. não podia fazer nada. O senhor Machado [n.d.r. presidente da direção da CPRP até 2021] dizia para ficarmos caladas, para não sermos despedidas e que [as alegadas situações de maus-tratos] não eram nada (...) Nunca fomos levadas a sério. Tinha medo das arguidas”, afirmou uma ajudante de educação na segunda sessão do julgamento.

José Domingos Machado (atualmente com 92 anos) era o presidente da direção, tendo estado ligado à instituição durante 43 anos.

De recordar que o Açoriano Oriental, em maio do ano passado, já tinha procurado ouvir alguns dos elementos da anterior direção, nomeadamente o vice-presidente, José Eduardo, e o secretário de direção, Paulo Vieira (irmão de uma das arguidas), que na altura afirmaram não ter tido qualquer conhecimento de maus-tratos na instituição.

Questionado pelos jornalistas, no final da leitura da sentença, sobre a possibilidade das atuais funcionárias da instituição constarem da certidão que foi extraída, Carlos Estrela (atual presidente da Casa do Povo de Rabo de Peixe) afirmou que vão continuar ao serviço, pois “não há nada contra elas. Vamos aguardar que o Ministério Público se pronuncie, e a instituição tomar as decisões que, em devida altura, tiver que tomar”.

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