O aviso surge um dia depois de o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ter ameaçado intensificar os ataques para “esmagar” o Hezbollah, numa altura em que diminuem as perspetivas de um acordo rápido entre os Estados Unidos e o Irão.
“Devem deixar imediatamente as vossas casas e deslocarem-se para norte do rio Zahrani”, escreveu na rede social X o porta-voz arabófono do exército israelita, Avichay Adraee, dirigindo-se aos habitantes de Nabatieh, uma importante cidade histórica e comercial situada cerca de 75 quilómetros a sul de Beirute.
Abandonada por grande parte dos seus habitantes desde o início da guerra entre Israel e o Hezbollah, a 02 de março, a cidade continua a ser alvo de bombardeamentos, apesar da trégua em vigor desde 17 de abril.
Ao mesmo tempo, novos ataques israelitas atingiram várias localidades do sul, incluindo a região de Tiro, segundo a Agência Nacional de Informação (ANI).
Na véspera, ordens de evacuação para Tiro provocaram o pânico e um movimento de êxodo entre os habitantes ainda presentes na cidade milenar, segundo reportou a agência noticiosa France-Presse (AFP).
Na noite de segunda-feira registaram-se igualmente bombardeamentos no leste do Líbano, nomeadamente na cidade de Machghara, de acordo com a ANI.
O exército israelita afirmou ter atingido durante a noite mais de 100 alvos do Hezbollah no vale da Bekaa, no leste, e no sul do país.
Por seu lado, o Hezbollah anunciou que os seus combatentes travaram hoje “uma força israelita [...] que avançava em direção a Zaoutar”, aldeia sobranceira a Nabatieh, situada a cerca de dez quilómetros da fronteira.
O grupo afirmou ter recorrido a “projéteis de artilharia e drones de ataque”, acrescentando que prosseguem os “combates diretos” na zona.
O movimento xiita pró-iraniano tinha anunciado também na segunda-feira à noite ataques contra objetivos militares no norte de Israel.
“Vamos intensificar os ataques, aumentar a sua intensidade e esmagar” o Hezbollah, advertiu Netanyahu na segunda-feira à noite.
"Por cada drone explosivo, dez edifícios devem ruir em Beirute”, defendeu, por seu lado, o ministro das Finanças israelita de extrema-direita, Bezalel Smotrich.
Apesar da trégua, Israel continua a realizar ataques e operações no Líbano, alegando visar o Hezbollah e as suas infraestruturas.
Os ataques israelitas provocaram pelo menos 3.185 mortos desde o início do conflito, no início de março, segundo o mais recente balanço divulgado na segunda-feira pelo Ministério da Saúde libanês.
