“Acabámos de convocar o encarregado de negócios russo para transmitir a mensagem de que isto não é aceitável e que mostra mais uma vez o que nós já sabíamo: que a Rússia não está minimamente interessada na paz e tem um total desprezo por todos os esforços em prol da paz”, afirmou a porta-voz da UE para os Negócios Estrangeiros, Anitta Hipper, na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia.
Este anúncio foi feito depois de na segunda-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, ter aconselhado os Estados Unidos e outros países com missões na capital ucraniana a evacuarem a sua embaixada em Kiev numa conversa telefónica com o homólogo norte-americano, Marco Rubio.
A porta-voz da UE acusou a Rússia de estar a tentar “semear o pânico, espalhar o medo e tentar isolar a Ucrânia”.
“Mas temos uma mensagem clara: isso não vai funcionar. A UE vai manter a sua presença e operação em Kiev”, assegurou.
Anitta Hipper considerou que as ameaças da Rússia “cheiram a desespero”, afirmando que Moscovo está a “perder no campo de batalha, então recorre mais uma vez a ameaças de ataques contra civis e infraestruturas civis”.
“Esses ataques são, infelizmente, uma realidade diária na Ucrânia, em Kiev, para os seus cidadãos. A nossa delegação no terreno e a sede da nossa missão civil também já foram atingidas por ataques irresponsáveis”, salientou.
A porta-voz frisou que “quaisquer ataques intencionais contra civis e alvos não militares constituem crimes de guerra” e afirmou que “todos os comandantes, autores e cúmplices dessas graves violações do direito internacional humanitário serão responsabilizados”.
“Da nossa parte, continuaremos a apoiar a Ucrânia, que necessita de defesa aérea e de mais apoio financeiro”, disse.
A Rússia apelou na segunda-feira aos cidadãos estrangeiros residentes na capital ucraniana, incluindo pessoal diplomático, para abandonarem Kiev antes de novos ataques contra "centros de decisão" e "empresas do complexo militar-industrial".
O embaixador da União Europeia na Ucrânia e outros diplomatas de países parceiros de Kiev reagiram ao anúncio russo de uma nova campanha de bombardeamentos maciços contra a capital ucraniana, afirmando que não têm intenção de deixar a cidade.
O alerta surgiu no dia seguinte a um forte ataque russo contra a Ucrânia, no qual Moscovo usou um míssil com capacidade nuclear.
O bombardeamento, realizado na madrugada de domingo, utilizou, de acordo com a Força Aérea ucraniana, 690 sistemas de ataque aéreo, incluindo drones e mísseis de vários tipos e teve Kiev como alvo principal.
Segundo o último balanço das autoridades ucranianas, citado pela agência francesa de notícias AFP, o bombardeamento russo causou pelo menos quatro mortos e mais de 100 feridos.
