Açoriano Oriental
Lesados do Banif nos Açores juntam-se a associação nacional para defender interesses
Clientes do antigo Banif nos Açores decidiram hoje integrar a associação nacional que vai defender os interesses dos lesados daquele banco.
Lesados do Banif nos Açores juntam-se a associação nacional para defender interesses

Autor: LUSA/AOnline

"O que decidimos foi não fazer uma associação só nos Açores, mas fazer uma delegação para ser integrada na associação nacional", afirmou aos jornalistas o porta-voz da reunião, que juntou cerca de 60 lesados do ex-Banif em Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel.

Carlos Presunça adiantou que a associação deverá ter sede no Funchal, Madeira, a sede do Banif, e uma das primeiras ações a programar é uma "grande manifestação" junto à Assembleia da República, em Lisboa.

"Para que toda a gente veja que nós, Banif, acionistas, obrigacionistas, somos lesados e fomos lesados de uma maneira que não há explicação para aquilo que aconteceu", considerou, garantindo que os lesados irão lutar por tudo a que têm direito.

Confrontado com as declarações do presidente do banco Santander Totta que esta semana disse que está a ser estudada a situação dos clientes do ex-Banif que subscreveram obrigações subordinadas, que totalizam 3.500 em todo o país com valores de 263 milhões de euros, Carlos Presunça expressou o desejo que "as palavras do sr. presidente sejam realmente o sentimento que corra por parte de toda a instituição financeira Santander".

"Não nos fecha a porta, diz que está a estudar, quando se está a estudar é porque já há qualquer coisa na manga", adiantou Carlos Presunça, um dos delegados da associação nos Açores.

Na quarta-feira, após uma audiência com o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, em Ponta Delgada, o presidente do Santander Totta, António Vieira Monteiro, disse que o banco não tem nenhuma obrigação relativamente às obrigações subordinadas.

"O banco é responsável, sim, pelos depósitos, pelas obrigações seniores e pelas obrigações hipotecárias", mas "não quer dizer, tendo em atenção esta realidade, que para defesa da sua franquia comercial, o banco não esteja a estudar e a ver alguma coisa sobre essa matéria", declarou António Vieira Monteiro, alertando, contudo, que "os problemas que possam vir a ser resolvidos e a maneira como vão ser resolvidos não quer dizer que seja alguma vez de cem por cento".

A este propósito, Carlos Presunça sustentou que esta "é uma questão que se terá que falar quando as negociações começarem a ser feitas, se houver negociações feitas diretamente com a associação de lesados" que vai representar todos os lesados, independentemente dos produtos subscritos.

A 20 de dezembro, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos - incluindo 'tóxicos' - para a nova sociedade veículo Oitante.

A resolução foi acompanhada de um apoio público de 2.255 milhões de euros, a que se somam duas garantias bancárias do Estado no total de 746 milhões de euros.

O Banif (em processo de reestruturação desde 2012) era o sétimo maior grupo bancário português e líder de mercado nos Açores e na Madeira.

 
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