Caso Madeleine McCann

Imprensa inglesa noticia e comenta demissão de coordenador da investigação


 

Lusa/AO   Nacional   3 de Out de 2007, 07:23

A imprensa inglesa noticia hoje o afastamento de Gonçalo Amaral da coordenação da investigação ao desaparecimento de Madeleine McCann como consequência directa dos “ataques bombásticos, surpreendentes e inesperados” à polícia inglesa.
O Daily Telegraph refere que a decisão do director da Polícia Judiciária, Alípio Ribeiro, se segue “a cinco meses de conflitos” com os polícias ingleses envolvidos no caso e foi provocada por um “surpreendente ataque público” de Gonçalo Amaral às autoridades policiais britânicas.

    O Guardian escreve que o inspector da Polícia Judiciária foi afastado do caso depois de um “ataque sem rodeios” aos seus colegas britânicos, considerando que Gonçalo Amaral tem sido uma figura controvérsia desde o início das investigações ao desaparecimento de madeleine, a 03 de Maio.

    O jornal recorda que no fim-de-semana Gonçalo Amaral foi criticado na imprensa britânica por alegadamente apenas trabalhar quatro horas e meia por dia, por gostar de “almoços bem regados” e por não investigar a maior parte das 252 pistas e informações recebidas pela equipa que dirigia.

    O Daily Mail comenta que o inspector português foi demitido depois de ter acusado os detectives britânicos de se deixarem enganar pelo casal McCann, que só investigavam as pistas que eram favoráveis aos pais da criança.

    “O seu ataque levou a uma reprimenda do ministro da Justiça de Portugal, Alberto Costa, que disse: “precisamos de nos concentrar na investigação e não nos comentários”.

    O jornal diz que os comentários “zangados e explosivos” de Gonçalo Amaral ao Diário de Notícias ocorreram dois dias depois de ter sido atacado pela imprensa britânica, acusando-o de gostar de “almoços de três horas bem regados” e de apenas trabalhar quatro horas e meia por dia e de ignorar a maior parte das pistas do caso.

    “A sua figura corpulenta e cheia de suor era uma presença familiar nos restaurantes e cafés perto da sede da polícia em Portimão”, comenta o jornal, que diz ainda que o inspector português não se coibia de falar para quem o quisesse ouvir, acusando o casal McCann de ter morto a filha.

    “A polícia britânica espera que o seu sucessor traga um novo ímpeto à investigação, que parece estar parada, uma vez que os detectives portugueses se recusavam a admitir qualquer prova que não coubesse nas suas teorias de implicação dos McCann no caso”, escreve ainda o jornal.

    O jornal The Independent diz que a demissão de Gonçalo Amaral é vista como o resultado de um “ataque extraordinário” aos pais da criança, acusados pelo inspector português de manipularem a polícia britânica.

    Para o matutino britânico, Gonçalo Amaral estava “desesperadamente frustrado” com a incapacidade da PJ de proceder a novos interrogatórios ao casal McCann, tanto em Portugal como em Inglaterra, considerando-o também uma figura controversa no caso.

    O jornal The Times escreve que Gonçalo Amaral foi chamado por Alípio Ribeiro, director da Polícia Judiciária, que o demitiu pelas declarações que tinha proferido ao Diário de Notícias.

    Alípio Ribeiro, recorda o jornal, já tinha criticado os agentes da polícia que falavam à imprensa, afirmando “a polícia deveria ser discreta e manter-se calada, mas há sempre alguém que fala. Algumas vezes é alguém que não sabe nada mas que quer protagonismo”.

    O “ataque extraordinário” do inspector da PJ, comenta o jornal, teve origem em declarações que, acrescenta, foram feitas na convicção de que eram “off the record”.

    Para o jornal The Sun, o “chefe de polícia trapalhão” que dirigia a investigação ao caso McCann foi afastado de “modo sensacional”, depois de um “ataque público surpreendente” aos pais de Madeleine McCanne à polícia inglesa.

    As suas declarações ao Diário de Notícias deixaram “o ministro da Justiça de Portugal, Alberto Costa, numa fúria”, comenta o jornal, referindo que o governante português reagiu e disse que é necessária concentração na investigação e não em comentários sobre o caso.
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