Açoriano Oriental
Guterres pede aos haitianos que evitem “escalada” da crise política que agita país

O secretário-geral da ONU exortou os haitianos a resistirem a "qualquer escalada" da crise política, económica e social que agita o Haiti há vários meses, por ocasião do 10.º aniversário do sismo que devastou aquele país.

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Foto: SALVATORE DI NOLFI
Autor: Lusa/AO Online

“Hoje, a insegurança e o baixo crescimento económico contribuem para o agravamento das tensões sociais e para a deterioração da situação humanitária. Exorto os haitianos a resolverem as suas diferenças através do diálogo e a resistirem a qualquer escalada que possa inverter os ganhos da década passada”, declarou António Guterres, durante uma cerimónia na sede das Nações Unidas que assinalou o 10.º aniversário do sismo de 2010, mas sem mencionar explicitamente a crise política que atinge o Haiti.

“’Kenbe fèm’ [mantenham-se fortes, continuem a avançar, na tradução em português]”, afirmou Guterres, recorrendo ao crioulo para concluir a sua intervenção na cerimónia.

Durante 2019, o Haiti foi cenário de vários protestos, que em certas ocasiões degeneraram em violência e fizeram algumas dezenas de mortos, para denunciar a corrupção da classe política e exigir a demissão do Presidente haitiano, Jovenel Moise.

Na semana passada, o Conselho de Segurança da ONU enfatizou a necessidade de resolver o impasse político em curso no Haiti entre o Presidente Moise e a oposição.

Num comunicado, o órgão realçou então a necessidade urgente das diferentes fações iniciarem um diálogo inclusivo e aberto, de forma a constituir um governo que responda às necessidades da população.

O mandato dos deputados haitianos expirou na passada segunda-feira, após a incapacidade do parlamento de alcançar um consenso para a realização de novas eleições legislativas e municipais.

As eleições para renovar a composição da Assembleia Nacional (parlamento) estavam previstas para novembro de 2019, mas não aconteceram.

Sem um parlamento a funcionar, o Presidente Moise tem a possibilidade de governar por decreto.

A par da instabilidade política, o Haiti enfrenta uma escassez de combustível e uma grave crise social e humanitária.

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês) estimou recentemente que o número de haitianos que poderão não ter o suficiente para comer deverá ultrapassar os quatro milhões durante o ano corrente, mais do que os 3,7 milhões verificados em 2019.

O sismo registado em 12 de janeiro de 2010 no Haiti fez mais de 200 mil mortos.

Entre as vítimas mortais, constam 102 funcionários da ONU oriundos de 30 países, naquela que foi a maior perda de operacionais, num único acontecimento, na história da organização internacional.


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