Grupo de habitantes de Jacarta processa o Governo devido a poluição na cidade


 

Lusa/AO online   Internacional   4 de Jul de 2019, 17:58

Um grupo de habitantes da capital indonésia, Jacarta, avançou com uma ação judicial contra o Governo, devido à poluição presente na megalópole com quase 10 milhões de habitantes.


A capital indonésia está envolta numa nuvem tóxica desde o início de junho e tem sido repetidamente classificada como a cidade mais poluída do mundo, de acordo com os dados da AirVisual, uma aplicação sobre a qualidade do ar.

Trinta queixosos, incluindo ativistas ambientais, funcionários administrativos e um motorista de táxi, querem respostas dos líderes indonésios e também alertar os moradores, que ainda não estão sensibilizados para as questões ambientais.

A queixa visa sete políticos, incluindo o Presidente indonésio, Joko Widodo, o governador de Jacarta e vários ministros.

“Eles negligenciaram o direito dos habitantes de respirarem ar saudável e não garantem que a qualidade do ar seja boa o suficiente para os 10 milhões de pessoas que vivem na cidade”, declarou Nelson Nikodemus Simamora, um advogado do grupo, aos jornalistas que estavam no tribunal.

A 25 de junho, o Índice de Qualidade do Ar (IQA), que mede a concentração de partículas finas, atingiu o valor de 230, o dobro de Pequim e Bombaim na mesma data.

Em 2018, Jacarta foi considerada, pela AirVisual, como a cidade mais poluída do sudeste da Ásia, com uma média de 45,3 microgramas de partícula finas por metro cúbico de ar (um IQA de 25).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda uma média anual máxima de 10 microgramas.

Mas “os dados de 2019 mostram um aumento significativo de partículas finas” no primeiro semestre do ano, segundo Louise Watt, porta-voz da AirVisual, citada pela agência noticiosa AFP.

A Greenpeace Indonésia entende que a causa da poluição é o volume de trânsito, sendo uma das cidades mais engarrafadas no mundo.

Aquela organização não-governamental atribui também o problema ao hábito das pessoas queimarem o seu lixo ao ar livre, e pela presença de oito unidades fabris alimentadas a carvão num raio de 100 quilómetros à volta da capital.

O chefe da agência ambiental local, Andono Warih, citado pelo diário Jakarta Post, disse que a poluição da capital “não foi tão má”, atribuindo a maior parte do problema ao trabalho de construção no centro da cidade.

A exposição prolongada às partículas finas tem várias consequências como irritação, falta de ar e asma de curto prazo e, a longo prazo, o risco de cancro aumenta.

“O número de dias com uma poluição perigosa para a saúde foi duas vezes maior em 2018 do que em 2017”, disse Bondan Andriyanu, responsável pela campanha do Greenpeace, citado pela AFP.

“O governo deve reconhecer o problema, mas baseia-se em regulamentações desatualizadas da década de 1990”, lamenta.

Entretanto, iniciou-se uma campanha de conscientização, convidando os moradores a publicarem as suas fotos na cidade atormentada pela poluição com a ‘hashtag’ #SetorFotoPolusi, embora a maioria da população diga estar habituada ao problema e que são poucos os que usam máscaras.


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