Fornecedora de gás lacrimogéneo admite rever política comercial com Hong Kong

Uma empresa britânica que fornece gás lacrimogéneo ao governo de Hong Kong admitiu rever a sua política comercial perante o uso dos seus produtos pela polícia contra manifestantes pró-democracia.


 

Um porta-voz da Chemring Defence disse à agência France Presse que a empresa fornece diferentes produtos a Hong Kong “há vários anos”, incluindo umas latas especiais de gás lacrimogéneo que rebentam no impacto para impedir que sejam lançadas de volta contra a polícia.

“Não quero fazer comentários sobre como as nossas políticas podem ou não ser alteradas em resultado da situação em Hong Kong, mas claramente essas políticas vão ser revistas”, disse.

A empresa, que começou por fabricar fogo-de-artifício, sublinhou que todos os seus contratos internacionais são “controlados em última análise” pelo governo britânico, através da emissão de licenças de exportação e certificados de utilizador final.

Mas, acrescentou o porta-voz, a “Chemring também tem as suas políticas de venda de bens”, as quais “são continuamente revistas”.

Na terça-feira, o governo britânico aumentou a pressão sobre a China para que dê resposta às aspirações democráticas da população da ex-colónia britânica.

O chefe da diplomacia britânica, Philip Hammond, defendeu contudo as exportações de gás lacrimogéneo para Hong Kong. “O gás é disponibilizado por um grande número de empresas em todo o mundo. Para ser franco, acho que essa não é uma questão, eles podiam comprar gás aos Estados Unidos”, disse à BBC.

Segundo a Campanha contra o Comércio de Armas (“Campaign Against the Arms Trade”), organização que defende o fim do comércio internacional de armas, o Reino Unido concedeu nos últimos quatro anos seis licenças para exportação de gás lacrimogéneo para Hong Kong, num valor total de 180.000 libras (231.000 euros).

A polícia de choque de Hong Kong lançou gás lacrimogéneo durante os violentos confrontos de domingo com manifestantes pró-democracia.

Os protestos dos últimos dias, os maiores desde a devolução do território pelo Reino Unido à China, em 1997, foram desencadeados pela decisão do governo chinês, em agosto, de selecionar os candidatos à chefia do executivo de Hong Kong nas eleições previstas para 2017.

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