Europa tem sido omissa em relação a África

Europa tem sido omissa em relação a África

 

Lusa / AO online   Internacional   28 de Set de 2007, 19:43

O presidente da Fundação Portugal-África, Mário Soares, afirmou sexta-feira no Porto que a Europa persiste em "olhar para o seu umbigo" e a ser "excessivamente omissa" em relação a África.

O ex-presidente português falava na abertura da conferência internacional "Europa-África: uma estratégia comum?", que a Fundação Portugal-África está a promover até sábado.

Mário Soares deu como exemplo os entraves que continuam a ser colocados aos africanos que pretendem trabalhar na Europa e de que este continente precisa.

"O Mundo já não são só os três pólos de desenvolvimento - Estados Unidos, Europa e Japão", afirmou, destacando a crescente importância de economias como a chinesa.

Mário Soares lembrou que África está a registar um crescimento económico de "cinco por cento ao ano", o que, não querendo dizer muito, é um sinal da vitalidade do continente.

O coordenador da presidência portuguesa da União Europeia para a Cimeira UE-África, marcada para 08 e 09 de Dezembro em Lisboa, António Monteiro, considerou "absolutamente necessário" que os dois continentes "regulem" o seu "incontornável" relacionamento.

António Monteiro salientou, contudo, que "nada se faz se não houver estado de direito", alertando para a necessidade de os países africanos adoptaram regimes democráticos respeitadores das mais elementares regras de um estado de direito.

"Sem estado de direito, sem democracia, não há desenvolvimento nem estabilidade, em África, na Europa ou em qualquer continente", frisou.

No debate que se seguiu às intervenções do primeiro painel da conferência, António Monteiro garantiu que a Cimeira UE-África se vai realizar, independentemente da polémica sobre a presença do presidente do Zimbabué, Robert Mugabe.

"Vamos realizar a cimeira. Não há nenhum país que esteja contra a realização da cimeira", sublinhou.

O representante para África do presidente da Comissão Europeia, Briosa e Gala, elogiou "a forma protocolarmente correcta como a presidência portuguesa está a gerir esta cimeira", manifestando-se esperançado na aprovação do documento que está a ser preparado, e que virá a designar-se "Estratégia conjunta UE-África".

"Ambos os continentes querem ultrapassar a dependência doador-receptor", salientou Briosa e Gala, defendendo a adopção de estratégias comuns em áreas como o comércio, a cultura e as alterações climáticas.

O secretário executivo adjunto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), José Tadeu Soares, defendeu o respeito pelas diferenças culturais como ponto de partida para uma bem sucedida relação entre os dois continentes.

Tadeu Soares sublinhou, contudo, que não devem ser relativizados "valores universais" como a liberdade, dignidade da pessoa humana e outros "princípios que possam levar a que se corrijam abusos e injustiças".


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