Crime

Empresas portuguesas ainda pouco despertas para a prevenção de fraudes

 Empresas portuguesas ainda pouco despertas para a prevenção de fraudes

 

Lusa/AOonline   Economia   20 de Out de 2008, 10:59

Uma única empresa portuguesa tem gestor de fraudes certificado internacionalmente, no que é visto por especialistas como um lento acordar do país para a necessidade de atacar o crime económico pelo lado da prevenção.
Segundo um estudo da Faculdade de Economia do Porto, o pequeno furto de caixa somado ao grande desvio do administrador de empresa equivale em Portugal a sete por cento do volume de vendas das empresas e representa entre 1,5 e dois por cento do Produto Interno Bruto.

    Pode-se mesmo dizer, por extrapolação a partir de indicadores dos Estados Unidos da América e outros países anglófonos, que as fraudes nas 500 maiores empresas portuguesas representam custos anuais entre 2,827 e 4,710 milhões euros.

    "É uma perda de riqueza brutal e significa um enfraquecimento das relações éticas e de civismo em sociedade", afirma Carlos Pimenta, que coordena no Porto o que diz ser a única pós-formação nacional em gestão de fraudes.

    O problema, segundo o docente, é que empresas e instituições portuguesas parecem ainda mais preocupadas em "calar" a fraude do que em castigá-la ou mesmo preveni-la.

    "Não denunciam as situações. Normalmente, o argumento é que isso pode descredibilizar a empresa", explicou o docente à agência Lusa, lamentando essa postura porque "a divulgação da existência de fraudes e da sua autoria são a melhor forma de dissuasão".

    Não estamos, portanto, perante um problema de insuficiência das polícias, "antes perante o facto de se encobrir o processo antes de chegar à polícia e aos tribunais", assegura, numa declaração subscrita por Mariana Raimundo, que na Polícia Judiciária (PJ) supervisiona a luta contra a fraude e o crime organizado.

    "Como não vamos ter um polícia atrás de cada cidadão ou de cada empresa, ou temos a colaboração das pessoas que estão a trabalhar nos sectores de risco, ou teremos muita dificuldade em conseguir chegar ao conhecimento das situações", afirma a coordenadora superior de Investigação Criminal da PJ.

    Contudo, José Andrade, o solitário gestor de fraudes português, que trabalha numa operadora de telecomunicações, quer acreditar que as coisas estão a mudar lentamente e assegura mesmo que já passou tempo em que era visto como uma espécie de "mal amado espião".

    "As pessoas vão percebendo que a fraude pode pôr em causa o seu emprego. Quando percebem isso, o que antes era entendido como uma ameaça, passa a ser visto como um aliado brutal", explica.

    Do que se trata também - segundo Jorge Nunes, auditor numa seguradora - é de "combater a ideia de que fica no ar de uma certa impunidade para quem pratica as fraudes".

    Isto porque, como enfatiza, a jusante deste tipo de crime "tudo se torna mais complicado", já que "é grande a dificuldade em reunir provas materiais".

    Num universo de cerca de 30 tipos de fraude diagnosticadas no estudo da Faculdade de Economia do Porto, a corrupção, o furto, a falsificação de documentos e a manipulação dos sistemas informáticos são as que mais afectam o tecido empresarial.

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