Eletricidade dos Açores estima atingir 67% de energias renováveis na Terceira em 2024

Eletricidade dos Açores estima atingir 67% de energias renováveis na Terceira em 2024

 

Lusa/AO Online   Regional   31 de Mai de 2019, 10:23

A Eletricidade dos Açores (EDA) vai adquirir um sistema de armazenamento de energia por baterias na ilha Terceira, para aumentar o aproveitamento de energias renováveis, estimando atingir os 67% de penetração de renováveis em 2024.

“Estamos a falar de dois terços de penetração de energias renováveis e endógenas neste sistema eletroprodutor”, adiantou a secretária regional da Energia, Ambiente e Turismo dos Açores, Marta Guerreiro, numa conferência de imprensa conjunta com os administradores da EDA, na Central Geotérmica do Pico Alto, na ilha Terceira.

Em 2018, a ilha Terceira produziu 34% de energia geotérmica, enquanto a ilha de São Miguel atingiu os 51% e a ilha das Flores 46%.

Com a aquisição do sistema de armazenamento de energia por baterias e com o aumento da capacidade da central geotérmica de 3,5 para 10 megawatts, a penetração de renováveis deverá atingir os 67%, em 2024, sendo a maior parte (42%) proveniente da energia geotérmica, 16% da energia eólica, 7% da incineração de resíduos, 1% da energia hídrica e 1% da energia fotovoltaica.

“Conseguiremos com este investimento diminuir o grau de indisponibilidade do sistema, aumentar a sua estabilidade e claro maximizar a integração de energia renovável e endógena no sistema eletroprodutor desta ilha”, salientou Marta Guerreiro.

A EDA deverá lançar na próxima semana um concurso público internacional para a aquisição do sistema de armazenamento por baterias, num investimento que rondará os 14 milhões de euros, com recurso a fundos comunitários.

A obra terá um prazo de execução de dois anos e as baterias terão 15 megawatts de capacidade, mais do que o maior grupo térmico atualmente em funcionamento na ilha Terceira, podendo injetar 10,5 megawatts por hora.

“Um grupo térmico para ser colocado na rede leva três quartos de hora. A bateria tem energia suficiente para aguentar a saída de um grupo térmico durante três quartos de hora e esta entrada da bateria é instantânea”, explicou o presidente do conselho de administração da EDA, Duarte Ponte.

Desta forma, a EDA passará a utilizar apenas um grupo térmico mais pequeno e energia renovável, durante a noite, na ilha Terceira.

As baterias serão utilizadas para equilibrar as variações de frequência e de tensão, sendo ainda ativadas em caso de falha do grupo térmico.

Questionado sobre a hipótese de criação de uma central hídrica reversível para armazenamento de energia, o presidente do conselho de administração da EDA disse que as baterias “têm um processo de eficiência energética superior” e têm a vantagem de substituir um grupo térmico.

“Perde-se no máximo 15% de energia. No caso da hídrica reversível as perdas são maiores, na ordem dos 30%”, apontou.

A entrada em funcionamento do sistema de armazenamento vai permitir um aumento de penetração de energias renováveis de 34 para 42%, segundo Duarte Ponte, mas até 2024, “se tudo correr bem”, a EDA Renováveis pretende aumentar a capacidade da Central Geotérmica do Pico Alto de 3,5 para 10 megawatts.

No próximo ano, a empresa deverá arrancar com trabalhos de perfuração, estando prevista a abertura de mais três furos na ilha Terceira.

O investimento global no aumento de potência das centrais geotérmicas da Terceira e de São Miguel deverá rondar os 70 milhões de euros.


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