Saúde

Duas dezenas de doentes à espera de córnea

Duas dezenas de doentes à espera de córnea

 

Lusa / AO online   Regional   27 de Out de 2009, 17:32

O Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, tem cerca de duas dezenas de doentes em lista de espera para transplante de córnea, sendo a única unidade de saúde dos Açores que realiza esta operação cirúrgica.
“Temos uma lista de pessoas com patologias cuja solução passa pela necessidade de transplante. Nesta altura, estão cerca de duas dezenas de doentes inscritos nessa lista”, revelou o oftalmologista Gil Resendes.

Este especialista realizou a maioria dos 14 transplantes de córnea feitos desde Março de 2008 no Hospital de Ponta Delgada, que é o único dos Açores onde se realiza esta cirurgia.

A córnea é o único órgão humano que é colhido e transplantado nos Açores.

”Seguem para o continente os rins, o fígado, o coração, mas as córneas de todos os dadores ficam na região e são transplantadas no Hospital de Ponta Delgada”, frisou Gil Resendes.

Quando surge um potencial dador, depois do oftalmologista verificar se as córneas estão em condições, são colhidas e conservadas num recipiente com um líquido, onde podem permanecer no frigorífico até uma semana.

A recolha da córnea é feita sempre com o cuidado de manter o cadáver com um aspecto normal.

“Só retiramos a parte que vai ser transplantada, não é como antigamente que se retirava o olho todo e o cadáver ficava desfigurado”, salientou o especialista.

Actualmente, a lista de receptores é constituída apenas por doentes de S. Miguel, mas, segundo o especialista, é provável que, num futuro próximo, passe a ser regional para que todos os doentes açorianos que necessitem de um transplante de córnea possam estar inscritos.

“O mais certo é caminharmos para uma lista regional, porque há valências que têm de ser centradas num hospital. No futuro, poderá haver capacidade para uma lista regional que inclua doentes da Horta e de Angra do Heroísmo, que serão chamados com a mesma prioridade”, afirmou.

A ordem de chamada para estes transplantes é definida pela gravidade da situação do doente, não sendo necessário nenhum exame de histocompatibilidade.

”Como a córnea é um órgão que não tem sangue não se fazem testes de compatibilidade. Avalia-se a gravidade e os casos mais graves são os que têm prioridade”, salientou Gil Resendes.

Segundo este especialista, o transplante demora cerca de uma hora, mas apenas resolve situações em que a patologia afecta somente a córnea, que é a parte transparente do olho.

“É como se fosse um relógio em que a máquina funciona muito bem mas o vidro está todo riscado e nós não conseguimos ver as horas porque não há transparência no vidro”, afirmou Gil Resendes.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.