Dois em cada 5 doentes sofre de depressão


 

LUsa/Ao On line   Nacional   16 de Out de 2009, 09:17

Um em cada cinco doentes de clínica geral apresenta sintomas depressivos “clinicamente significativos”, revelou o psiquiatra Manuel Jara, a propósito do Dia Europeu da Depressão, que se assinala sábado.

Segundo o médico, a depressão é subdiagnosticada e subtratada em todo o mundo, especialmente nos cuidados primários.

“Muitas vezes o doente não se queixa bem, esconde os sintomas depressivos e tem manifestações físicas. Outras vezes, a queixa principal é somática, dores, mal-estar, fadiga” e isso subestima a doença. Por outro lado, além de haver poucos médicos de família, “falta hoje tempo na Medicina para conversar com o doente.

Apesar disso, Manuel Jara considera que os doentes são devidamente tratados nos centros de saúde, uma vez que os clínicos gerais têm formação na área de saúde mental e estão sensibilizados para esta problemática.

A depressão é quase duas vezes mais frequente nas mulheres do que nos homens e perto de dois terços dos doentes têm pelo menos uma recorrência ao longo da vida.

“O risco de recorrência aumenta à medida que o número de episódios também aumenta e diminui com o aumento do tempo em que o doente se encontra recuperado”, explica o médico.

Manuel Jara lembra que “a depressão é a doença psiquiátrica mais frequente" e há estudos epidemiológicos que sugerem que a incidência da doença está a crescer.

Além disso, recorda Jara, é "a maior causa de suicídio”. “Dois terços das pessoas que se suicidam têm sentimentos depressivos ou depressões”, sustenta, adiantando que “as mulheres suicidam-se menos que os homens - apesar de terem mais depressões -, mas fazem mais tentativas”.

A vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), Luísa Figueira, acrescenta que “a maior parte das depressões surge no início da idade adulta e afecta a vida pessoal e profissional”.

“É importante que a família seja informada sobre a doença e saiba que o risco de suicídio aumenta no primeiro mês de tratamento”, alerta a psiquiatra, explicando que a pessoa não tem capacidade para sair da depressão sozinha e necessita de cuidados médicos.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que cerca de 121 milhões de pessoas em todo o mundo podem estar presentemente a sofrer de alguma forma de depressão.

Estudos epidemiológicos mostram prevalências pontuais (proporção de pessoas afectadas num determinado momento) de três a quatro por cento e prevalências anuais de quatro a 10 por cento.

Demonstram ainda prevalências de vida (proporção de pessoas afectadas desde o nascimento até ao momento da entrevista) entre 10 e 17 por cento. Estes dados variam consoante a população estudada ou os instrumentos utilizados na avaliação clínica.

“Em Portugal, lamentavelmente não há dados epidemiológicos nesta área, mas presumem-se valores de prevalência dentro do padrão europeu e espanhol”, refere a SPPSM.

Em Espanha, um estudo realizado na Cantábria revelou uma prevalência ponderada da depressão de 6,2 por cento, com 4,5 por em homens e 7,8 por cento em mulheres.

No âmbito do Dia Europeu da Depressão, Manuel Jara quis deixar uma mensagem: “Temos de considerar que as depressões são doenças, têm múltiplas causas, que podem ser estudadas e tratadas”.


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