Política

Bloquistas assobiam Presidente da República, Fernando Ulrich e Isabel Jonet

Bloquistas assobiam Presidente da República, Fernando Ulrich e Isabel Jonet

 

Lusa/AO Online   Nacional   10 de Nov de 2012, 13:40

O coordenador cessante do BE, Francisco Louçã, fez hoje críticas cerradas ao "radicalismo" neoliberal, gerando um coro de assobios ao Presidente da República, ao banqueiro Fernando Ulrich e a Isabel Jonet (do Banco Alimentar contra a Fome).

Perante a VIII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, no seu último discurso enquanto coordenador, Francisco Louçã devolveu para o setor "neoliberal", para os apoiantes do memorando da 'troika' (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia), a acusação de radicalismo de que a sua força política é alvo por parte dos adversários. "Quando nos recomendaram o recuo no calculismo - quem não se lembra das vozes que nos disseram que eles venceram, sigam o moto dos 'gangsters' de Chicago e se não os podes vencer junta-te a eles nas privatizações e aceitem o desemprego -, quero dizer-vos que o impossível é o que está a acontecer, 1,3 milhões de desempregados", contrapôs o líder cessante do Bloco de Esquerda. Impossível, ainda de acordo com Louçã, era Portugal ter uma dívida há 30 anos de dois mil milhões de euros, "dívida que agora se multiplicou por cem em termos nominais". "Sei que nos chamam radicais por querermos correr com a 'troika' desde o dia zero. E agora quando vemos uma senhora do movimento nacional feminino [Isabel Jonet] a brincar à caridadezinha o que lhe vão chamar? Vão chamar-lhe radical?" questionou, provocando o primeiro coro de assobios entre os delegados da convenção. Mas Francisco Louçã foi mais longe: "O que vamos chamar ao banqueiro que está de dinheiro do Estado [presidente executivo do BPI] e que se vira para nós e diz aguentem, aguentem mais austeridade? Chamam-lhe radical", perguntou, antes de se referir ao chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva. "O que chamam a um Presidente da República, que não recebe o seu ordenado, porque prefere receber uma pensão que afinal nem sequer lhe dá para viver? Vão chamar-lhe radical?", acrescentou, recebendo uma salva de palmas. Radicais, segundo o coordenador cessante do Bloco, "têm sido suas excelências, que acham que o atraso é a solução e que empobrecer é virtude e desígnio de Portugal". Num balanço sobre os 13 anos da sua liderança, Francisco Louçã referiu-se a "vitórias" por causas, como a despenalização do consumo de drogas leves, a despenalização do aborto, a legalização do casamento homossexual e a luta contra a corrupção através do progressivo levantamento do sigilo bancário."Pois ganhámos!", sustentou Francisco Louçã, numa parte do seu discurso em que ainda se referiu a avanços ao nível das medicinas alternativas e na informação genética pessoal. "Lutámos em 13 anos vertiginosos como queríamos lutar. Como o país mudou para melhor em todas essas áreas. O país só muda para melhor quando há luta e quando há convicções", advogou.


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