Em comunicado, o Bloco referiu que a Comissão de Trabalhadores da SATA Air Açores, o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC) dizem não ter sido devidamente envolvidos “na preparação da privatização do ‘handling’ da companhia aérea regional, um processo que, de acordo com o Governo [Regional], vai retirar mais de metade dos trabalhadores da empresa”.
“Nos últimos dias, a Comissão de Trabalhadores da SATA Air Açores e os sindicatos representativos dos trabalhadores da empresa referiram publicamente que a administração do Grupo SATA não assegurou as condições que permitissem o envolvimento próximo e ativo no processo de preparação da privatização do serviço de ‘handling’ da empresa”, adiantou.
O plano de reestruturação do Grupo SATA, apresentado por Portugal e aprovado pela Comissão Europeia, inclui a privatização de 100% do serviço de ‘handling’ da companhia aérea.
O BE/Açores acrescenta que a privatização do serviço “será efetuada através da criação de uma nova empresa dentro do Grupo SATA, para onde vão transitar 640 trabalhadores da SATA Air Açores - de acordo com o que revelou o secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública no plenário de dezembro do parlamento dos Açores -, e que será posteriormente totalmente privatizada”.
“O universo de trabalhadores em questão representa 65% dos trabalhadores da SATA Air Açores, ou seja, significa que estamos perante uma alteração muito profunda na estrutura da empresa de transporte aéreo interilhas”, refere o partido no requerimento enviado hoje ao presidente da Comissão de Economia do parlamento dos Açores, que deverá ser votado na próxima reunião desta comissão.
A resolução aprovada em dezembro de 2025 determina que a Comissão de Economia “tem a competência de acompanhar o processo de privatização” e pode, mediante deliberação, solicitar audições a personalidades ou entidades sobre o processo, daí que o BE/Açores proponha que a Comissão de Trabalhadores da SATA Air Açores, o SITAVA e o SINTAC sejam ouvidos no parlamento.
O partido considera que a separação do serviço de ‘handling’ da SATA Air Açores (que faz as ligações entre as ilhas) e a criação de uma nova empresa com a intenção de a privatizar a 100% “não podem ser feitas sem o necessário acompanhamento, fiscalização e escrutínio por parte da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores”.
Para o BE açoriano, a privatização do ‘handling’ da SATA Air Açores é um “grande erro”.
O SINTAC e o SITAVA rejeitaram a cisão e privatização do serviço de ‘handling’ da companhia aérea SATA Air Açores.
Em comunicado conjunto enviado à agência Lusa, os dois sindicatos “rejeitam a cisão e privatização” do ‘handling’ da SATA e exigem a “imediata suspensão de qualquer ato de constituição de nova empresa até que exista negociação plena e transparente”.
As direções dos sindicatos lembram que em 2025 foram confrontadas “com decisões unilaterais do Governo Regional e do conselho de administração da SATA Air Açores que visam a cisão e a privatização total do serviço de assistência a aeronaves (‘handling’)”.
O Conselho do Governo dos Açores aprovou, em dezembro de 2025, uma resolução que autoriza a constituição de uma nova sociedade comercial no Grupo SATA, referente aos serviços de ‘handling’.
Segundo o seu presidente, José Manuel Bolieiro, a resolução autoriza “a constituição de uma nova sociedade comercial, no Grupo SATA, em consequência de uma cisão simples, a realizar, da SATA Air Açores, nos termos da qual será destacada e afeta à nova sociedade a unidade económica referente aos serviços de ‘handling’”.
