A vulnerabilidade dos preços dos combustíveis

O Governo foi cedendo aqui e ali, não atacando o problema no seu cerne.  A nosso ver, qual seria a atitude a tomar? Só poderia ter sido uma: a da baixa da carga fiscal, sobretudo no ISP, que no nosso País é muito superior ao de Espanha


Os combustíveis são, sem dúvida alguma, um bem energético de primeiríssima necessidade. Sem eles, nos dias actuais é impossível qualquer desenvolvimento.
Várias contingências levaram ao aumento assustador do seu preço de produção, a que não foram alheias crises políticas, desvalorização do dólar face ao euro e, sobretudo, especulação. Muita especulação, como transmitiu o secretário-geral da OPEP, que chegou mesmo a afirmar que “a Europa estava louca, que não havia falta de petróleo e que tudo não passava de uma grande especulação”. O rei da Arábia Saudita passou à acção e em dois aumentos quase sucessivos intensificou a extracção do petróleo no seu país, de seis milhões e meio para dez milhões de barris por dia. Mas as regras do mercado não funcionaram e a continuada desvalorização do dólar, aliada à especulação da bolsa de bens futuros, foi sempre em frente, chegando o petróleo a atingir 147 (cento e quarenta e sete) dólares por barril.
Em Portugal os preços acompanharam a tendência europeia e a contestação ao seu elevado montante começou a provocar mal-estar social e as manifestações dos transportes públicos de passageiros, a que se seguiram as dos pescadores, transportes de mercadorias, agricultores e taxistas, iam incendiando o País, chegando mesmo a dos transportes de mercadorias a paralisar toda e qualquer actividade, pois a falta de combustíveis nos postos de abastecimento contribuiu para essa paralisação. O Governo foi cedendo aqui e ali, não atacando o problema no seu cerne. A nosso ver, qual seria a atitude a tomar? Só poderia ter sido uma: a da baixa da carga fiscal, sobretudo no ISP, que no nosso País é muito superior ao de Espanha. Infelizmente temos um ministro da Economia que é, no mínimo, um pouco distraído e que teve o desplante de afirmar que Portugal não era dos países da Europa aquele que tinha os combustíveis mais caros, pois “a Alemanha, o Reino Unido, a Holanda e a Bélgica têm-nos mais caros que Portugal”. Senhor ministro, que me importa a mim pagar mais cinco euros em cada abastecimento por semana, vinte euros por mês, se no fim do mês ganhar  mais mil  ou  mil  e  quinhentos  euros? Creio que esta distracção do Senhor ministro foi uma afronta a todos os portugueses. No caso português,  o  único  país  de referência que  nos interessa é  Espanha. É o único com o qual temos fronteira e aquele que nos separa do resto da Europa. A diferença de preços dos dois lados da fronteira faz com que uma parte significativa do consumo que antes (2004) se verificava em Portugal tenha transitado para o lado de Espanha, com o consequente pagamento de impostos no país vizinho. O mesmo acontece no dia a dia com os turistas e transportadores europeus que rumam ao nosso País e, o mais grave, a transferência de sedes de grandes empresas de transporte de mercadorias, das quais uma só chegou mesmo a anunciar que no ano de 2006 poupou um milhão de euros com o gasóleo.
E como fazer face à baixa do ISP? Revitalizando a nossa economia e terminando com o fim das fugas para Espanha, que neste momento se cifrarão pelos 20% (os relatórios apresentados pelo Governo fazem unicamente referência ao trimestre ou semestre homólogo do ano anterior, mas essas quebras verificam-se, como atrás referi, desde 2004). Esta a questão tributária, mas infelizmente temos também outra não menos grave: é a da prepotência das companhias petrolíferas, que se agarraram a uma pretensa lei de liberalização dos combustíveis que só serviu para elevar os preços. O Governo tem dito que não é uma lei sua e a Oposição responsável por essa mesma lei tem dito ao Governo que então a revogue. Eu, que não sou por uma intervenção do Estado na economia, acho contudo que, tratando-se de uma actividade essencial para a vida de todos os portugueses, deve, tal como na electricidade, ser alvo de uma regulamentação por parte das entidades governamentais.
Nesse sentido, o Governo do Eng.º José Sócrates foi autor do Decreto-Lei 31/2006 de 2 de Fevereiro, o qual, entre outros pontos, estabelece a separação do negócio de refinação dos outros negócios de transporte, distribuição e comercialização dos combustíveis. Com este modelo de operação não serão mais as companhias a intervirem sozinhas na comercialização dos combustíveis. Uma nova entidade, a constituir-se para este fim, iria proporcionar condições idênticas a todos os operadores de venda directa ao público, e então sim, uma verdadeira concorrência surgiria, com vantagens para todos os consumidores. Mas, para que isso possa acontecer, é necessário que o Governo regulamente por Portaria o que legislou há mais de dois anos e nove meses. Parece-me desleixo demasiado ou falta de convicção no D.L. 31/2006.
Isto o que se passa no Continente, porque o que se vive nestas Ilhas abençoadas é bem diferente. Aqui, o Governo Regional resolveu à custa do ISP reduzir os preços dos combustíveis, permitindo assim que por cá possamos ter preços mais baixos. Contudo, o nosso Governo tem que estar atento, pois uma petrolífera, a ESSO, na semana passada já vendia a gasolina 95 no Continente, a €1.253 e, na Madeira, todas as petrolíferas, a partir de hoje vendem a mesma gasolina 95 a €1,22,  portanto mais barata do que nos Açores (hoje, 27/10/2008).
Por último, dois breves tópicos: um diz respeito à taxa de combustível nos aviões que operam na nossa Região. Surgiu esta taxa por causa do aumento brutal do preço do barril de petróleo e agora que este desceu da barreira dos 60 dólares teima, esta taxa, em não desaparecer. E a tendência é para que os preços se mantenham em valores razoáveis, apesar de na última reunião da OPEP os seus membros terem decidido por um corte de um milhão e meio de barris/dia. Mas, mais uma vez, o mercado deixou de funcionar e assistiu-se a novas quebras; o outro diz respeito à divergência no IVA sobre o gás natural (5% no continente) e o gás butano e propano, de garrafa ou tanque (20%). É profundamente injusto que quem tenha dinheiro para viver numa cidade possa cozinhar e lavar-se com o auxílio de uma fonte energética com o IVA de 5%, e quem só possa viver numa aldeia, para as mesmas necessidades tenha que usar gás de garrafa cujo IVA é de 20%.

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Informação transmitida pela GNR impede tripulação de veleiros de desembarcar no porto das Lajes das Flores, mesmo sendo proveniente do espaço Schengen. Economia local pode sofrer impacto, visto que anualmente chegam, em média, cerca de 300 veleiros à ilha. Tema já foi levantado pela Iniciativa Liberal/Açores, que pediu esclarecimentos ao Governo Regional