Sócrates diz ter garantias de apoio dos líderes africanos à cimeira Europa/África


 

Lusa/AO   Internacional   25 de Set de 2007, 06:16

O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou hoje ter garantias do empenhamento dos líderes africanos na realização da II cimeira UE/África e recusou que a iniciativa seja motivada por "ciúmes" da crescente presença chinesa no Continente africano.
José Sócrates, líder em exercício da UE, falava a jornalistas no final de uma reunião de cerca de uma hora com o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, à margem da 62ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, a decorrer em Nova Iorque.

    Tal como com José Eduardo dos Santos, o tema cimeira UE/África, prevista para 08 e 09 de Dezembro, em Lisboa, dominou também o encontro de José Sócrates com o presidente da União Africana e chefe de Estado do Gana, John Kufuor.

    No final das duas reuniões, o presidente em exercício da UE disse que tanto José Eduardo dos Santos, como o chefe de Estado do Gana garantiram o "empenhamento para que a (segunda) cimeira UE/África possa aprofundar a relação entre os dois continentes, através de uma nova ambição".

    "Vejo um grande empenhamento de todos os líderes africanos, porque está em causa um acordo histórico entre os dois continentes", disse José Sócrates, que hoje, de tarde (hora local/mais cinco em Lisboa), ainda se reúne com os chefes de Estado da Zâmbia e da Tanzânia.

    No entanto, o primeiro-ministro português frisou que "o contencioso entre a UE e o Zimbabué vai continuar".

    "Temos sanções contra o Zimbabué, mas as sanções prevêem também que estas cimeiras UE/África podem realizar-se", sublinhou Sócrates, antes de referir que essa "é a posição de todos os líderes europeus, incluindo a do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown".

    Interrogado sobre a possibilidade de líderes africanos optarem por estar ausentes da cimeira no caso de o presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, ser impedido de se deslocar a Lisboa, Sócrates disse que essa perspectiva se baseia num "equívoco".

    "Gordon Brown apoia a cimeira e sempre se destacou pela prioridade que concede em relação a África", justificou.

    Já sobre uma eventual relação entre a necessidade de uma cimeira UE/África e a crescente presença chinesa no continente africano, o primeiro-ministro português negou essa perspectiva.

    "Não vamos fazer esta cimeira porque há países africanos com relações com a China. A Europa não tem ciúmes da China", assegurou.

    De acordo com José Sócrates, com a realização da cimeira UE/África, os países europeus "não querem disputar nada a ninguém".

    "As relações históricas entre UE e África são tão profundas, têm tantos séculos, que nada as substituirá", alegou.

    A realização da segunda cimeira euro-africana, em Dezembro, em Lisboa, é uma das grandes prioridades da actual presidência portuguesa da UE, que termina no final do ano. A primeira cimeira de chefes de Estado e de Governo da UE e de África realizou-se em 2000, no Cairo, durante a anterior e segunda presidência portuguesa da União.

    À margem da Assembleia-Geral da ONU, Sócrates esteve também reunido com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan, e com o presidente de Timor-Leste, Ramos Horta.

    De acordo com fonte diplomática, José Sócrates discutiu com o seu homólogo turco o processo de adesão deste país à UE, o qual se encontra actualmente num impasse político-diplomático.

    Já em relação à conversa com Ramos Horta, a mesma fonte adiantou que o primeiro-ministro manifestou o seu empenho diplomático no sentido de que a comunidade internacional "continue a apoiar o processo de consolidação da democracia em Timor-Leste".
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