Euro2008

Scolari abandona sala de imprensa irritado

Scolari abandona sala de imprensa irritado

 

Lusa/AO   Futebol   21 de Nov de 2007, 21:22

O seleccionador português de futebol abandonou hoje energicamente a sala de imprensa do estádio do Dragão, depois de ter conseguido a qualificação para o Euro2008, e repudiou todas as críticas feitas pela comunicação social nos últimos jogos
"Portugal consegue a qualificação e o burro sou eu? O ruim sou eu? E Portugal qualificou onde? Na baía das almas? Ou vocês estão mal acostumados ou então não sei", atirou Luiz Felipe Scolari, visivelmente irritado com as perguntas dos jornalistas.
O seleccionador explicou que Portugal esteve 11 jogos sem perder, conseguiu nova qualificação num "grupo complicado" e fez hoje, no empate com a Finlândia, uma "exibição boa" dentro daquilo que tinham planeado.
"Porque não fizemos nenhum golo? Se não estivesse lá o guarda-redes, se calhar teríamos feito. Não percebo como vocês dizem que a Finlândia é ruim, a Sérvia é ruim, a Polónia é ruim ou a Bélgica é ruim. Mas pronto, acho que fomos maus. Se querem, fomos maus. Peço desculpa, mas não preciso de estar aqui", voltou a responder Scolari.
O seleccionador, que conseguiu estar presente na final do Europeu de 2004 e atingiu o quarto lugar no Mundial da Alemanha em 2006 ao serviço de Portugal explicou que é sempre "preciso sofrer para atingir qualquer qualificação" e aplaudiu o comportamento dos jogadores e também do público que lotou o Dragão.
"Pelo amor de Deus, vou-me sentir desiludido por me qualificar? Eu estou é muito feliz. Alguns entendiam que a torcida do Porto não nos apoiava, mas hoje deram um grande exemplo. Foram espectaculares, como são sempre. Este foi o melhor estádio, pelo público, que jogámos nos últimos três anos. Será que vocês não conseguem ver nada de bom naquilo que nós fazemos?".
Luiz Felipe Scolari questionou ainda os jornalistas: "Será que só tem porcaria e ruidade no nosso trabalho?".
Sobre o jogo, o treinador brasileiro explicou que Portugal conseguiu uma "exibição muito boa" dentro daquilo que estava planeado e lembrou que não poderia atacar-se muito, já que um "erro poderia ser fatal".
"Tivemos algumas precauções, é certo. Mas criámos muitas oportunidades de golo, ainda que não tantas como em outras ocasiões. Mas sabíamos que seria preciso sofrer. Agora, Portugal tem-se qualificado desde 1996, mas temos de perceber que a selecção sofreu uma reformulação e tivemos muitas lesões", explicou também.
Luiz Felipe Scolari saudou ainda o primeiro jogo de Pepe - "óptima estreia, com óptima personalidade" - e justificou algumas alterações feitas no "onze" base.
"Estava a chover e o campo estava pesado. Depois, a Finlândia tem oito jogadores muito altos e que batalham muito. Contra a Arménia abrimos o meio-campo e foi por isso que o seleccionador da Finlândia mudou a equipa. Mas porque me massacram a mim e não ao treinador finlandês. Eles fizeram alguma coisa?".
Antes de abandonar a sala, Luiz Felipe Scolari afirmou ainda que faz "mais por Portugal do que alguma vez" fez pelo Brasil, seu país-Natal.
"Ninguém me defendeu. Eu faço mais por Portugal do que alguma vez fiz pelo Brasil. Não compreendo", concluiu.
Por outro lado, o seleccionador da Finlândia explicou que a missão era complicada, mas que a sua equipa tudo fez para vencer o jogo.
"Tínhamos de defender bem e atacar para marcar. Mas Portugal tem uma equipa talentosa, com Ronaldo, Quaresma, Maniche ou Veloso. Era complicado mas tudo tentámos. Penso que nos faltou o golo e alguma sorte", disse o inglês Roy Hodgson.
O treinador revelou que tinha imaginado um 0-0 ao intervalo e aproveitou a ocasião para dar os parabéns ao Portugal, desejando também "boa sorte" para a fase final do Campeonato da Europa, na Áustria e Suíça, em 2008.
"Demos muita luta e deixámos 50.000 pessoas nervosas. Penso que o resultado foi justo, ainda que Portugal tenha criado as melhores ocasiões. Mas isso era previsível. Quanto ao meu futuro? Bem, o presidente quer que eu fique, mas só falaremos nisso mais tarde", concluiu.
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