Açoriano Oriental
Relatório propõe salário mínimo anual de 30 mil € para imigrantes no Reino Unido pós-Brexit

O patamar salarial mínimo anual para os imigrantes no Reino Unido deve rondar as 25,6 mil libras (30,3 mil euros) depois do 'Brexit', inferior ao nível atual, recomendou um grupo de especialistas ao governo britânico.

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Foto: ANDY RAIN/EPA
Autor: Lusa/AO Online

Atualmente, os imigrantes de fora da União Europeia (UE) candidatos a vistos de trabalho de cinco anos precisam ter um salário mínimo de 30 mil libras (35,5 mil euros).

O presidente da Comissão Consultiva sobre Migração, Alan Manning, disse no relatório publicado esta terça-feira que existem opiniões divergentes sobre o tema, entre empresas que não gostam de níveis mínimos porque estes agravam os custos com a mão de obra, e aqueles preocupados com o risco de as empresas contratarem imigrantes porque são mais baratos.

O valor proposto, vinca Manning, "significa que a maioria dos empregadores poderá contratar imigrantes pagando salários que muitos dos trabalhadores existentes nessas profissões já recebem".

O relatório propõe que seja necessário aos imigrantes qualificados receberem uma proposta de emprego para se candidatarem a um visto de trabalho, mas que exista flexibilidade para profissões mais bem remuneradas e com salários mais altos, enquanto que professores, profissionais de saúde ou recém-licenciados poderão beneficiar de patamares mais baixos.

O estudo da Comissão foi feito a pedido do governo britânico, que quer introduzir a partir de 2021 um novo sistema de imigração, descrito como um "sistema de pontos estilo australiano", e que vai restringir a entrada de cidadãos europeus.

Após a saída do Reino Unido da UE, na sexta-feira, começa um período de transição de 11 meses, após o qual termina a liberdade de circulação de europeus que existe atualmente e que permite que se instalem no país sem visto de trabalho prévio e sem necessidade de autorização de residência.

O governo britânico quer implementar um novo sistema de imigração para controlar o fluxo migratório, que até agora só podia fazer relativamente aos profissionais extracomunitários.

"Comparado ao que aconteceria com a continuação da livre circulação, esperamos que as mudanças reduzam os níveis de imigração, o tamanho da população do Reino Unido e o Produto Interno Bruto (PIB) total", lê-se no relatório publicado hoje.

Por outro lado, os autores também estimam um ligeiro aumento do rendimento per capita, melhorias nas finanças públicas e menos procura dos serviços de saúde, escolas e habitação social.

A deputada dos Liberais Democratas, Christine Jardine, salientou a dificuldade acrescida que vai existir para recrutar professores, enfermeiros e médicos, e o impacto que as alterações vão ter para o apoio social e para os "custos enormes e burocracia para milhares de empresas britânicas".

Mas Manning refere no relatório que "os pequenos impactos" estão de acordo com o que já tinha sido antecipado num relatório publicado em 2018, citando que "a migração no EEE como um todo não teve os grandes efeitos negativos reivindicados por alguns nem os benefícios claros reivindicados por outros".



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