Associações de estudantes do superior reclamam mais financiamento e ação social

Associações de estudantes do superior reclamam mais financiamento e ação social

 

Lusa/AO online   Nacional   22 de Nov de 2012, 17:03

Com o apoio de várias centenas de alunos que saíram esta quinta-feira à rua em Lisboa, quinze associações de estudantes do ensino superior entregaram esta quinta-feira na Assembleia da República um manifesto reclamando mais financiamento e ação social.

No manifesto, subscrito por associações de todo o país e entregue às comissões parlamentares, declara-se que "os custos do ensino superior são incomportáveis para os estudantes e para as suas famílias", estimando-se um gasto de 5841 euros no ano letivo de 2010/2011 para cada família com filhos no ensino superior.

Com propinas que não têm um teto máximo e "não param de aumentar", uma ação social que "não chega", empréstimos a estudantes que aumentam - "12 mil estudantes já devem 200 milhões de euros à banca" - e um passe escolar que deixou de existir, os estudantes consideram que está "posto em causa o ensino público, de qualidade e para todos, consagrado na Constituição".

André Pereira, da associação de estudantes do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE-IUL), afirmou aos jornalistas que se assiste a uma "elitização" do Ensino Superior, que se torna inacessível para muitos.

"No ano passado mais de 20 mil alunos abandonaram o ensino superior por indeferimento de bolsas, este ano já vamos em nove mil", apontou.

O estudante salientou que, nos últimos dez anos, o financiamento das universidades e politécnicos desceu 26 por cento e que as propinas aumentaram "21 por cento", ou seja, são os estudantes que estão a custear grande parte das carências financeiras das instituições.

"Portugal tem um dos ensinos mais desiguais da Europa, não há alunos isentos de propina e as despesas de educação nos orçamentos das famílias chegam aos 63 %".

André Pereira reconheceu que a falta de adesão das principais associações académicas ao protesto de hoje significou uma adesão menos significativa, mas argumentou que a luta estudantil se faz em manifestações como a que percorreu o trajeto entre o Marquês de Pombal e a Assembleia da República.

"Não se faz em gabinetes ou secretarias de associações académicas, nem com secretários de Estado ou ministros", afirmou, comentando a posição assumida por doze associações que optaram por esperar uma audiência com o primeiro-ministro.

A apoiar o protesto estiveram deputados do PCP e do Bloco de Esquerda, que se solidarizaram com as reivindicações dos estudantes.

A deputada comunista Rita Rato afirmou que o ensino superior sofre "cortes inaceitáveis" e que as medidas previstas no Orçamento de Estado para 2013 fazem recear "encerramentos de cursos, de instituições e despedimentos", tirando do sistema "quem não tem mil euros para pagar as propinas".

Pelo Bloco de Esquerda, Ana Drago apontou o "problema muitíssimo grave" que se vive no setor, com muitos jovens confrontados com "a impossibilidade de continuar a formação que é essencial para eles e para o país".

Ao longo do trajeto por Lisboa, os alunos gritaram palavras de ordem contra as propinas, o Governo e o ministro da Educação e Ciência.

Chegados à frente da escadaria da Assembleia da República, penduraram faixas e cartazes nas grades colocadas pela PSP em frente de todo o perímetro do edifício, vigiado por várias dezenas de agentes das equipas de intervenção rápida e do Corpo de Intervenção.

O protesto acabou por desmobilizar ao fim da tarde.


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