PSD dividido na escolha do novo líder


 

Lusa/Ao On line   Nacional   9 de Jan de 2010, 06:36

O processo de escolha do próximo líder do PSD divide destacados militantes do partido, com alguns a pedirem celeridade nas directas e outros a defenderem que o importante é "resolver bem" os problemas internos dos sociais-democratas.

Num momento de aparente cautela e contenção (muitas personalidades sociais-democratas contactadas pela Agência Lusa preferiram não comentar ou remeteram para declarações que fizeram no passado sobre o assunto), crescem também de tom os apelos para que o partido se redefina de forma estável.

António Couto dos Santos, antigo ministro da Educação de Cavaco Silva e actual deputado, vive "com alguma preocupação" a situação interna do PSD.

"O momento que se vive não é bom para o partido - que é o partido da oposição, que é alternativa e aquele em que os portugueses depositam confiança para poder recuperar o país da difícil situação económica - que este partido esteja numa situação de indefinição ainda quanto à data de eleições para o seu presidente", declarou.

Para o antigo governante (presente ininterruptamente nos sucessivos executivos entre 1983 e 1995), "seria útil do ponto de vista político e da mensagem" que o PSD deve passar ao país "proceder à eleição do presidente do partido" - "até para acabar com a grande confusão que é a ideia do congresso", promovido por "uma personagem que sempre que por qualquer motivo se afunda rapidamente levanta a cabeça", ironizou, referindo-se à iniciativa de Pedro Santana Lopes de promover um congresso antes das directas.

"As eleições deveriam ser o quanto antes e faça-se o congresso a seguir. O congresso é para debater ideias. Mas nós já temos um período eleitoral com enorme cobertura no qual os militantes têm oportunidade de conhecer os projectos e as ideias de cada um", defendeu.

Também o ex-líder parlamentar social-democrata Guilherme Silva reconhece que este é "um momento difícil" na vida do partido agravado pela circunstância de o PSD ter "uma liderança que está assumidamente a prazo ter de prolongar o seu mandato até o ciclo normal de um novo congresso".

Receptivo à ideia de um congresso extraordinário, o histórico deputado madeirense defendeu que, mais do que resolver apressadamente uma situação que, por força do processo interno, nunca será resolvida "antes de Abril ou Maio", o importante é "resolvê-la bem".

"Espero que o PSD encontre a liderança adequada a este momento, que é um momento particularmente difícil. O PSD não pode neste momento olhar para o problema da liderança numa solução interna normal, mas como uma solução simultânea para o partido e para o país", disse.

Guilherme Silva escusou-se a comentar os nomes que se perfilam para as eleições directas em que será sufragada a sucessão de Manuela Ferreira Leite na liderança do partido.

"Paz e união" são, por outro lado, os apelos deixados pelo histórico dirigente dos Trabalhadores Sociais-Democratas (TSD), Arménio Santos.

"O partido devia discutir de forma séria e desapaixonada a sua realidade interna, o seu papel na sociedade porque é fundamental que o PSD se reencontre. O PSD tem que se reencontrar e passar a viver em paz e união. Porque, enquanto não viver em paz e união bem pode pregar, mas o país não nos vai levar muito a sério", reclamou.

Arménio Santos acentua ainda que o problema da liderança do PSD deve ser clarificado "não quando a comunicação social o reclama, mas quando o partido considera que deve ser feita a sua liderança".


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