Afeganistão

Presidente Karzai e NATO refutam relatório de especialistas

Presidente Karzai e NATO refutam relatório de especialistas

 

Lusa / AO online   Internacional   22 de Nov de 2007, 16:07

O Presidente afegão, Hamid Karzai, e o secretário-geral da NATO refutaram e lamentaram advertências formuladas por um grupo de especialistas sobre o controlo de grande parte do país pelos talibãs e os riscos de divisão.
“Não partilho em absoluto a análise” feita pelo Conselho de Senlis, um centro de reflexão com base em Londres, declarou Karzai.

O chefe de Estado afegão insistiu nos progressos realizados no país desde a queda dos talibãs, em 2001.

Admitiu, contudo, que “há regiões nas mãos dos talibãs”.

O secretário-geral da NATO, Jaap de Hoop Scheffer, formulou a mesma constatação.

“É claro que há situações do país onde a situação é tensa. Toda a gente sabe que as forças da NATO combatem em algumas regiões, mas a análise do Conselho não é realista”, declarou.

Os talibãs controlam “vastas porções” do Afeganistão, que corre a ameaça de se tornar um país dividido, advertiu quarta-feira, em Londres, o Conselho de Senlis, que apelou à duplicação da força da NATO no país.

“A situação de segurança atingiu um nível crítico”, indicou Norine MacDonald, especialista do Conselho.

“Cinquenta e quatro por cento do território afegão abriga uma presença talibã permanente, os rebeldes controlam já, sem oposição, vastas regiões, zonas rurais, regiões fronteiriças, alguns centros distritais e vias rodoviárias importantes”, sublinhou, num comunicado.

Os talibãs “governam de facto partes importantes do território do sul” do país, adianta o documento.

“A questão de agora em diante não parece já ser a de saber se os talibãs regressarão a Cabul, mas quando isso ocorrerá… O seu objectivo declarado de atingir a cidade em 2008 parece ter, mais que nunca, possibilidades de se concretizar e compete à comunidade internacional transformar profundamente a sua estratégia antes que o tempo escasseie”, acrescentou MacDonald.

O Conselho de Senlis apelou a uma duplicação da força da NATO no Afeganistão, atingindo os 80.000 militares.

O general português Carlos Branco, porta-voz da ISAF, a força da NATO no Afeganistão, colocou dúvidas quanto a este número e quanto à análise do grupo de especialistas.

“É claro que mais tropas seriam bem vindas, mas não identificámos a necessidade de 80.000 soldados”, afirmou.

“Os talibãs controlam alguns distritos, mas sem continuidade territorial”, sublinhou.

“Movem-se em zonas onde a presença das forças de segurança é fraca e frequentemente partem antes das chegadas de tropas enviadas como reforço”, garantiu o general.

Por outro lado, o general Carlos Branco mostrou-se céptico quanto a um regresso dos talibãs a Cabul.

“A cidade não dá a impressão de estar prestes a ser tomada”, acrescentou.

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