Polícia é responsável por 74% das agressões a jornalistas no Brasil

Polícia é responsável por 74% das agressões a jornalistas no Brasil

 

Lusa/AO online   Internacional   22 de Out de 2013, 09:53

A polícia foi responsável por 74% das agressões perpetradas contra jornalistas no Brasil desde junho, data em que começaram os protestos populares, de acordo com a Associação Brasileira de Jornalistas de Investigação (Abraji).

Das 96 agressões registadas nos últimos quatro meses e meio, 25 foram executadas por manifestantes, enquanto 71 dos casos foram protagonizados pela polícia ou agentes das Força Nacional, indicou a Abraji, num comunicado divulgado esta segunda-feira.

A lista contabiliza quatro agressões contra jornalistas ocorridas, esta segunda-feira, durante os protestos no Rio de Janeiro contra o leilão do maior poço de petróleo encontrado no país.

No seminário internacional sobre violência contra jornalistas, organizado pelo Instituto Vladimir Herzog, que decorreu na segunda-feira em São Paulo, representantes de quatro associações de jornalistas e empresas de comunicação, condenaram as agressões aos profissionais dos órgãos de informação em todo o país desde perpetradas desde junho.

De acordo com o diretor da Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão (ABERT), Théo Rochefort, as ações demonstram a incompatibilidade de os manifestantes "radicais viverem em democracia".

"Existem mais de 500 emissoras de televisão em todo o país. Só de noticiário nacional há 14 programas. Se estão insatisfeitos com a cobertura atual é simples: Mudem de canal", disse Théo Rochefort durante o seminário.

A Abraji considerou "inaceitável" as cerca de cem agressões perpetradas contra jornalistas em pouco mais de quatro meses e defendeu que este índice "não é compatível com a democracia e fere o direito da sociedade à informação".

A agência Brasil sublinha, por sua vez, que 80% das agressões foram praticadas por elementos das forças de segurança.

Apesar dos números o diretor da Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), Lourival J. Santos, defendeu que é preciso separar os ataques contra os jornalistas dos praticados contra os proprietários dos meios de comunicação social pois o "jornalismo não é a maniestação da vontade do dono de uma publicação".

O jornalismo "é a união entre a liberdade de expressão e a liberdade pública de acesso aos meios de comunicação", disse Lourival Santos.

No mesmo seminário participou também o antigo secretário nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, que alertou para a necessidade de se analisar as causas que provocaram o aumento da violência contra os meios de comunicação.


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