Caso Intermezzo

Pedida a condenação de franceses suspeitos da morte de navegador

Pedida a condenação de franceses suspeitos da morte de navegador

 

Lusa / AO online   Nacional   26 de Nov de 2007, 14:49

O Ministério Público pediu a condenação dos dois arguidos suspeitos do homicídio de André Le Floch, encontrado morto no trimarã "Intermezzo", em 2006, tendo a leitura do acórdão ficado marcada para 14 de Dezembro, no Tribunal de Lagos.
O Ministério Público (MP) junto do Tribunal de Lagos (Algarve) pediu uma "pena pesada e exemplar" para os franceses Corine Gaspar e Thierry Beille, acusados dos crimes de homicídio qualificado, roubo e tentativa de ocultação do cadáver de André Le Floch, o navegador francês que morreu em Agosto de 2006.

Nas alegações finais, após terem sido ouvidas as últimas seis testemunhas arroladas no processo, entre elas os três filhos de André Le Floch, o defensor de Corine e Thierry considerou que "pouca prova foi produzida em tribunal", pedindo a absolvição dos arguidos nos crimes de "roubo e tentativa de ocultação de cadáver".

Quanto ao crime de homicídio qualificado, o advogado Manuel dos Santos defendeu, também, que "não ficou provada a intenção de matar" e sugeriu que "deverá o tribunal entender como um crime de ofensa à integridade física, pois apenas se provou que houve uma agressão de Corine a André Le Floch".

O causídico sustenta que "Corine, quando foi resgatada após o naufrágio do barco, revelou a presença de uma terceira pessoa a bordo do trimarã, que alegadamente estaria amarrada, manifestando-se preocupada com a sua situação".

No entanto, o MP considera que os dois irmãos franceses "agiram em comunhão de esforços, mostrando desprezo pela vida humana, tendo captado a confiança do navegador para se apoderarem do barco 'Intermezzo'", adquirido por André Le Floch em 2005, por 55 mil euros.

Para a acusação, ficou provado em julgamento que "o crime foi premeditado e praticado pelos dois", sublinhando que os sacos que os arguidos transportaram para bordo do trimarã, com cinto de chumbos no seu interior, revelava "a intenção de fazerem desaparecer o corpo em alto mar".

De acordo com o relatório da autópsia, André Le Floch "foi amarrado com cordas depois de morto, morte que terá acontecido por asfixia manual".

No final da sessão, Corine e Thierry resolveram falar ao tribunal, depois de optarem pelo silêncio durante as duas anteriores sessões.

Corine Gaspar admitiu ter batido com um objecto na cabeça de André Le Floch, depois de este a ter "tentado violar", o que lhe terá provocado "atordoamento, mas ficou consciente", e referiu que o navegador "foi amarrado nos pés e mãos, pelos dois, depois de pedir ajuda a Thierry".

Por seu lado, Thierry Beille disse ao tribunal que "não bateu" no navegador e negou que tivesse prendido quaisquer objectos ao corpo de André Le Floch.

Questionado pela juíza Alda Casimiro, Thierry assegurou que experimentou navegar o "Intermezzo", mas reconheceu que "dificilmente saberia pilotar o trimarã", já que o barco tinha sido alterado e "os flutuadores estavam cheios de material pesado".

O tribunal ouviu durante a sessão de hoje os depoimentos dos três filhos de André Le Floch, no âmbito do processo de indemnização, cujo valor é de cerca de 100 mil euros.

No final da audiência, um dos filhos de André Le Floch, Stéphane Le Floch, disse aos jornalistas que a versão de Corine "não faz sentido", sustentando que o pai era "uma pessoa gentil, calmo e jamais faria mal a uma mulher".

O tribunal marcou a leitura do acórdão (sentença proferida por um tribunal colectivo) para o dia 14 de Dezembro, às 15:00 (hora local).

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