“O InSeCureFrank é o performer que celebra a vulnerabilidade em palco”

Frank Malachi. Músico micaelense vive em Londres, mas esteve em São Miguel a gravar o seu primeiro álbum “Loose Dog Loves”. Trabalho de InSeCureFrank será lançado em 2021




Frank Malachi é o nome artístico ou alter-ego do micaelense Francisco Malaquias que começou a cantar em São Miguel e que há sete anos está a viver em Londres. Porque decidiu ir para Inglaterra?
Saí de São Miguel em 2011 para ir estudar Realização Plástica do Espetáculo na Escola Artística António Arroio, em Lisboa, mas depois decidi que não era bem isso que queria. Havia um bacharelato muito interessante em Londres que se chamava Performance Design and Practice e decidi candidatar-me e mudar-me para Inglaterra.
Neste momento, ainda estou a fazer um mestrado em Composição Popular em Londres. Tive de interromper por causa da Covid-19, o que até tem sido bom porque tenho mais tempo para me dedicar ao meu trabalho e à minha música.

Mas tem conseguido atuar em Londres ao longo destes anos?
Sim, tenho tido boas propostas e bons concertos, mas nenhum deles gera receita, portanto, para mim é mais importante a questão da publicação do trabalho.

Quando é que percebeu que queria ser músico a tempo inteiro?
Isso aconteceu em 2015 quando fui convidado para participar num festival no Battersea Arts Center, um instituto de arte contemporânea em Londres, e essa foi a minha primeira performance ‘live’ com a minha marca InSeCureFrank e, nesse concerto, apercebi-me que não era a performance, não era o teatro, não eram as artes visuais, mas sim a adrenalina de estar em palco e escrever canções.

Como define a sua música?
É um pergunta complexa, mas este álbum “Loose Dog Loves” centra-se sobretudo na tradição do final dos anos 60 e início dos anos 70, em que a estrutura lírica é muito folk/rock, portanto é um álbum muito concentrado no aspeto lírico da composição da cantiga popular. Ainda estou mais concentrado na parte da mensagem do álbum do que propriamente na parte da composição musical.

Como é o seu processo criativo?
Depende. No curso de Composição Popular aprendemos a “expelir” potenciais poemas, frases, palavras-chave para um papel e depois começa-se a construir um esquema mental e a história/narrativa vai surgindo. Depois vem a melodia.

Mas sente que houve uma evolução da sua escrita ao longo do tempo?
Sim, completamente. O “Loose Dog Loves” é um álbum que tem 14 temas, mas a maioria foi escrita há quatro ou cinco anos.

Este álbum é produzido por quem? Que músicos foram chamados a colaborar?
Lançámos o nosso primeiro single em janeiro - “Love The Bone” - que esteve na Amazon, Spotify e Apple Music e, em março, lançámos o “Instagram Spell” e foi interessante porque ambos tiveram bastante sucesso em Londres e fiquei muito feliz por isso.
Comecei a trabalhar com o meu produtor através de um projeto que estava a tentar criar com o Refugee Council, que é uma instituição para os refugiados em Londres e eu tenho vindo a trabalhar com eles desde 2015. Entretanto, mandei uma proposta para uma série de escolas de produção que tinham alunos finalistas de licenciaturas em produção e mandei um email para a Abbey Road, os famosos estúdios dos Beatles, mas que também têm um instituto de produção e eles recomendaram-me este produtor que tinha acabado a sua licenciatura que é o Milo McGuire.

Entretanto, está em São Miguel há três meses a gravar...
A Covid-19 acabou por trazer uma coisa boa para nós que foi termos tempo e o privilégio de trazer toda a gente a São Miguel. Fizemos uma proposta ao Museu Carlos Machado para gravarmos o álbum na Igreja do Núcleo de Santo André e na Igreja do Colégio e também fizemos uma proposta à diocese para gravar na Igreja de Sant’Ana, nas Furnas.
Estou muito satisfeito com o resultado, foi muito atribulado, aquilo que era para ser uma semana acabou por se transformar num mês. Está também a ser organizado um documentário chamado “Where water goes life will follow” que sairá um pouco depois do álbum em 2021 e é sobre esta questão de um artista, do capital pessoal, da herança, de regressar a casa e às raízes.
Estamos na fase de pós-produção do álbum e queremos terminá-lo até fevereiro de 2021. Estou aberto a propostas para voltar aos Açores para tocar.

Que relação existe entre o Frank Malachi e o InSeCureFrank?
Penso que o Frank Malachi é o escritor e o InSeCureFrank é o performer. O InSeCureFrank celebra a parte mais humana, em que a vulnerabilidade não tem que ser tabu e tem de ser trazida ao palco. Quem quiser seguir o meu trabalho pode encontrá-lo em quase todas as redes sociais e no Youtube através do InSeCureFrank.









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