Frank Malachi é o nome artístico ou alter-ego do micaelense Francisco
Malaquias que começou a cantar em São Miguel e que há sete anos está a
viver em Londres. Porque decidiu ir para Inglaterra?
Saí de São
Miguel em 2011 para ir estudar Realização Plástica do Espetáculo na
Escola Artística António Arroio, em Lisboa, mas depois decidi que não
era bem isso que queria. Havia um bacharelato muito interessante em
Londres que se chamava Performance Design and Practice e decidi
candidatar-me e mudar-me para Inglaterra.
Neste momento, ainda estou
a fazer um mestrado em Composição Popular em Londres. Tive de
interromper por causa da Covid-19, o que até tem sido bom porque tenho
mais tempo para me dedicar ao meu trabalho e à minha música.
Mas tem conseguido atuar em Londres ao longo destes anos?
Sim,
tenho tido boas propostas e bons concertos, mas nenhum deles gera
receita, portanto, para mim é mais importante a questão da publicação do
trabalho.
Quando é que percebeu que queria ser músico a tempo inteiro?
Isso
aconteceu em 2015 quando fui convidado para participar num festival no
Battersea Arts Center, um instituto de arte contemporânea em Londres, e
essa foi a minha primeira performance ‘live’ com a minha marca
InSeCureFrank e, nesse concerto, apercebi-me que não era a performance,
não era o teatro, não eram as artes visuais, mas sim a adrenalina de
estar em palco e escrever canções.
Como define a sua música?
É um
pergunta complexa, mas este álbum “Loose Dog Loves” centra-se sobretudo
na tradição do final dos anos 60 e início dos anos 70, em que a
estrutura lírica é muito folk/rock, portanto é um álbum muito
concentrado no aspeto lírico da composição da cantiga popular. Ainda
estou mais concentrado na parte da mensagem do álbum do que propriamente
na parte da composição musical.
Como é o seu processo criativo?
Depende.
No curso de Composição Popular aprendemos a “expelir” potenciais
poemas, frases, palavras-chave para um papel e depois começa-se a
construir um esquema mental e a história/narrativa vai surgindo. Depois
vem a melodia.
Mas sente que houve uma evolução da sua escrita ao longo do tempo?
Sim, completamente. O “Loose Dog Loves” é um álbum que tem 14 temas, mas a maioria foi escrita há quatro ou cinco anos.
Este álbum é produzido por quem? Que músicos foram chamados a colaborar?
Lançámos
o nosso primeiro single em janeiro - “Love The Bone” - que esteve na
Amazon, Spotify e Apple Music e, em março, lançámos o “Instagram Spell” e
foi interessante porque ambos tiveram bastante sucesso em Londres e
fiquei muito feliz por isso.
Comecei a trabalhar com o meu produtor
através de um projeto que estava a tentar criar com o Refugee Council,
que é uma instituição para os refugiados em Londres e eu tenho vindo a
trabalhar com eles desde 2015. Entretanto, mandei uma proposta para uma
série de escolas de produção que tinham alunos finalistas de
licenciaturas em produção e mandei um email para a Abbey Road, os
famosos estúdios dos Beatles, mas que também têm um instituto de
produção e eles recomendaram-me este produtor que tinha acabado a sua
licenciatura que é o Milo McGuire.
Entretanto, está em São Miguel há três meses a gravar...
A
Covid-19 acabou por trazer uma coisa boa para nós que foi termos tempo e
o privilégio de trazer toda a gente a São Miguel. Fizemos uma proposta
ao Museu Carlos Machado para gravarmos o álbum na Igreja do Núcleo de
Santo André e na Igreja do Colégio e também fizemos uma proposta à
diocese para gravar na Igreja de Sant’Ana, nas Furnas.
Estou muito
satisfeito com o resultado, foi muito atribulado, aquilo que era para
ser uma semana acabou por se transformar num mês. Está também a ser
organizado um documentário chamado “Where water goes life will follow”
que sairá um pouco depois do álbum em 2021 e é sobre esta questão de um
artista, do capital pessoal, da herança, de regressar a casa e às
raízes.
Estamos na fase de pós-produção do álbum e queremos
terminá-lo até fevereiro de 2021. Estou aberto a propostas para voltar
aos Açores para tocar.
Que relação existe entre o Frank Malachi e o InSeCureFrank?
Penso
que o Frank Malachi é o escritor e o InSeCureFrank é o performer. O
InSeCureFrank celebra a parte mais humana, em que a vulnerabilidade não
tem que ser tabu e tem de ser trazida ao palco. Quem quiser seguir o meu
trabalho pode encontrá-lo em quase todas as redes sociais e no Youtube
através do InSeCureFrank.
