Nervos dão cabo do coração quando não se conhecem riscos


 

Olímpia Granada   Regional   28 de Set de 2008, 12:22

“Um estudo, relativamente recente, publicado na New England Journal of Medicine, refere que durante o Campeonato do Mundo de Futebol na Alemanha, em todos os dias que a selecção alemã jogou, o número de enfartes nos hospitais daquele país quase que duplicou, excepto no dia em que jogou com Portugal e ganhou facilmente...”, conta com algum humor Miguel Pacheco, cardiologista do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada.
Apesar do sorriso que este facto documentado inevitavelmente provoca num primeiro instante, a constatação é sintomática de algo grave: os nervos dão mesmo cabo do coração, quando este já não está bem.
Mas, de acordo com o inquérito “Enfarte agudo do miocárdio – gravidade associada, notoriedade dos factores de risco, reconhecimento dos sinais/sintomas e medidas preventivas”, realizado pela Fundação Portuguesa de Cardiologia, quatro em cada 10 portugueses com idades acima dos 30 anos continuam a não tomar medidas preventivas para evitar complicações cardiovasculares. Ou seja, quase 30 por cento dos portugueses não efectua exames médicos regulares de prevenção, em particular a população com menos de 50 anos. Mesmo quando e de acordo com a American Heart Association (AHA), citada pelo Guess What?, se estima que um em cada três adultos com idade superior a 25 anos sofriam em 2005 de hipertensão, um dos principais factores de risco das doenças cardiovasculares, actualmente o assassino nº1 em todo o mundo e em Portugal, responsáveis por 40 por cento das mortes.
A propósito do Dia Mundial do Coração que hoje se assinala sob o tema “Sabe Qual o Seu Risco?”, Miguel Pacheco adiantou ao Açoriano Oriental que, “evidentemente, isso não acontece numa pessoa saudável!Acontece nas pessoas com doenças subjacentes e o chamado ‘stress’ funciona como factor desencadeante”.
Sobre quais as doenças que mais afectam o coração, Miguel Pacheco esclarece que “são múltiplas as doenças cardíacas” mas “ há duas doenças que é importante referir, sendo uma delas a doença coronária e a outra a insuficiência cardíaca”, diz.
A doença coronária ocorre em “indivíduos que têm problemas nas suas artérias coronárias, responsáveis por levar o sangue ao músculo do coração” e “sobretudo a pessoas com factores de risco (tensão arterial alta, ser fumador, diabetes, colesterol alto, casos na família, obesidade e vida sedentária)”.
Ora, continua Miguel Pacheco, “formam-se umas ‘placazinhas’ nas artérias em que, se por azar, as mais afectadas forem as coronárias, dificulta a passagem do sangue” provocando aos doentes “sobretudo com o esforço e até com o stress, um desconforto ou dor no peito que os obriga a parar, muitas vezes por sensação de cansaço e falta de ar”. Estes são sintomas que se conseguem controlar muitas vezes só com medicamentos e, caso não sejam suficientes, através de técnicas invasivas.
Outra das manifestações ou consequência da doença coronária, é o enfarte, também conhecido por “ataque cardíaco” e que “ocorre quando em pessoas que também têm essas ‘placazinhas’, um dia, por um motivo qualquer, forma-se um coágulo de sangue que interrompe completamente a circulação!”, explica o especialista. A zona do músculo cardíaco afectada deixa de receber sangue e “as células começam a morrer”em poucas horas (quatro a seis) perdendo “a função de ‘bomba’ para facilitar a circulação através do coração”.
Daí a importância de reconhecer os sintomas de um enfarte: “A manifestação é a de dor no peito, muito intensa, de uma forma relativamente súbita e em que a pessoa até pode não estar a fazer nenhum esforço fora do normal”, esclarece o cardiologista.
Suores excessivos, possível desmaio, sensação de falta de ar e cansaço fora do normal são sintomas vulgarmente associados. A dor pode ou não irradiar para o braço. Quanto à insuficiência cardíaca, Miguel Pacheco esclarece que se verifica quando, “basicamente, o coração acaba por não cumprir tão bem a sua função como bomba e a circulção do sangue não chega nas condições e quantidade suficientes a todo o corpo”. Às vezes, porque os pacientes tiveram enfartes que danificaram as células do músculo do coração.
Cansaço, inchaço nos pés, não conseguir dormir com a cabeça baixa, são alguns dos sintomas. Quanto às razões, devem-se mais uma vez a quadros arrastados de tensão arterial alta sem tratamento (às vezes sem diagnóstico) que pode provocar a dilatação do músculo cardíaco ou afectar as suas válvulas.

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