Açoriano Oriental
"Não é normal" é a mensagem a passar aos jovens sobre violência no namoro

O Governo lançou esta sexta feira uma campanha, com a colaboração do Movimento “Não é Normal”, que pretende educar os jovens para o que é ou não um comportamento aceitável no namoro e lançar as bases para quebrar ciclos de violência.

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Foto: SXC
Autor: AO Online/ Lusa

A apresentação da campanha “#NamorarNãoÉSerDoN@” decorreu esta tarde no Chapitô, em Lisboa, perante uma plateia de crianças e jovens com a presença da ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, o secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa, e também de representantes do Movimento “Não é Normal”, entre os quais o humorista Diogo Faro, além de dois agentes da PSP, que ajudaram a clarificar o papel das autoridades.

Dados hoje divulgados, segundo os quais 67% dos jovens consideram normal comportamentos violentos no namoro e quase 60% afirmam que já foram vítimas de atos de violência nas suas relações, levaram Mariana Vieira da Silva a alertar para a “grande naturalização” destes comportamentos na sociedade, e que é necessário que ações como pedir a ‘password’ das redes sociais, para ver os telemóveis dos parceiros, ou escolher com que amigos se pode estar são atos que têm de “ser desconstruídos enquanto coisas normais”.

“Quando sete em cada dez crianças acham que estes atos são normais a coisa mais importante a fazer é mudar essa perceção”, defendeu a ministra, que entende também que as 900 queixas que chegaram à PSP em 2019 de violência no namoro são já reflexo de uma maior consciência para o problema.

“A primeira coisa a fazer é a sensibilização. Este debate, feito de escola a escola, transforma, pouco a pouco, a mentalidade e a perceção que os alunos têm e isso é o trabalho mais importante. Há outro trabalho, o de formação de professores, e já mais de três mil professores têm sido formados nestas matérias”, disse a ministra, que lembrou ainda a importância da inclusão da cidadania no currículo para mudar mentalidades.

O vídeo da campanha hoje apresentado pretende ser uma ferramenta para esse objetivo, com a mensagem de que a violência no namoro não é normal a poder ser passada e partilhada entre os mais jovens através de um dos seus meios de comunicação preferenciais, as redes sociais.

Mariana Vieira da Silva defendeu que a violência no namoro é um fenómeno “muito difícil de caracterizar” e que a maior preocupação “é mostrar que não é normal esse conjunto de violência”.

A ministra considerou que esta violência nestas idades tão jovens transformar-se-á depois “em violência ao longo da vida”, pelo que “é muito importante interrompê-la”.

João Costa defendeu que o trabalho de informação e educação passará, “naturalmente, pela escola”, às vezes o único espaço no qual é possível mostrar aos mais jovens que existe uma alternativa à violência, sobretudo àqueles que cresceram nesse contexto.

Mesmo com a disseminação de informação que hoje existe, para João Costa “há também um conjunto de legitimações através de estereótipos que estão por todo o lado e nos quais os jovens crescem que têm de ser desmontados”, para o qual o ensino da cidadania nas escolas é um instrumento privilegiado.

“Quando colocamos a cidadania no currículo estamos a dizer uma coisa que é muito poderosa, que é a cidadania não é facultativa”, disse o secretário de Estado Adjunto e da Educação.

Diogo Faro, que, explicou à Lusa, se tornou feminista por influência das amigas que o fizeram perceber “a importância da igualdade de género”, adiantou que o trabalho do Movimento “Não é Normal” que tem sido desenvolvido nas escolas passa por explicar aos mais jovens o conceito de igualdade entre homens e mulheres e contrariar “os estereótipos que contribuem tanto para a desigualdade de género”.

“O ‘feedback’ tem sido bastante positivo, também dos professores, mas sobretudo dos alunos. Acima de tudo interessado e com disponibilidade para saber mais sobre a igualdade de género”, disse.

Ana Esteves, também do movimento, lamenta que não consigam dar resposta a todos os pedidos de escolas que lhes chegam.

“Os temas estão em cima da mesa, são atuais e ainda bem, e há mesmo uma consciência por parte das gerações mais novas de que há um problema e que é preciso mudar e isso é ótimo”, disse.



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