Mudança de temperamento de Seabra "muito importante" para defesa


 

Lusa/AO online   Nacional   11 de Out de 2012, 09:32

A mudança brusca do temperamento de Renato Seabra antes do homicídio do colunista social Carlos Castro em Nova Iorque, descrita quinta-feira por uma testemunha chave do caso, é peça "muito importante" para a sua defesa, disse o advogado David Touger.

Vanda Pires, a primeira testemunha a ser ouvida no Supremo Tribunal de Nova Iorque, acompanhou o seu amigo Carlos Castro e Seabra em vários passeios na estadia de ambos em Nova Iorque, desde 29 de dezembro de 2009 e que viria a culminar no homicídio de 07 de janeiro de 2010, no Intercontinental Hotel, em Times Square.

O advogado de defesa, David Touger, questionou a testemunha da acusação para confirmar que ambos estavam a divertir-se, sem qualquer problema evidente na relação até à véspera do crime.

Foram exibidas em tribunal várias fotos de ambos e de Vanda Pires, com ar divertido, em locais emblemáticos de Nova Iorque e de Nova Jérsia, incluindo lojas, centros comerciais, casinos ou vistas panorâmicas.

Quando, no dia 06, Vanda Pires chegou ao hotel para irem jantar, viu pela primeira vez Castro "infeliz", procurando Seabra, que diz ter ido sair com umas raparigas que havia conhecido.

No táxi para o restaurante e durante o jantar, Castro esteve "em silêncio", visivelmente incomodado, enquanto Seabra teve atitudes inesperadas, sobretudo mandar vir uma garrafa de vinho para fazer brindes sozinho, relatou a testemunha, que esteve no jantar, acompanhada também pelo namorado.

A acusação sustenta que foi "raiva, desilusão e frustração" a levar Renato Seabra a matar o colunista social, diretamente ligada ao fim da relação, enquanto a defesa argumenta que foi a doença mental a levar ao crime, após o qual o jovem se passeou pelas ruas da cidade num estado de alucinação, tocando nas pessoas.

Vanda Pires respondeu negativamente nas várias vezes em que a procuradora Maxine Rosenthal, responsável pela acusação, perguntou se nalgum momento Seabra tinha dito ter saudades de casa, se parecia confuso, perturbado, inquieto, ou mesmo se tinha falado em "Deus, no demónio, na homossexualidade ou nos males do mundo".

Disse também que, na curta conversa que tiveram depois do crime, quando Vanda Pires foi ao hotel preocupada por o amigo não atender o telefone e encontrou Seabra a sair, vestido de fato e gravata, nunca o réu tentou tocar em alguém ou mostrou sinais de insanidade.

Durante a sessão de hoje foram também mostrados vídeos de vigilância do Hotel Intercontinental, da conversa entre ambos, em que Seabra terá dito que Castro já não desceria mais do quarto.

Outros vídeos mostram Seabra, vestido de fato, a descer num elevador, abandonando o local do crime.

A inquirição de Vanda Pires, a testemunha que mais privou com vítima e com o réu em Nova Iorque, irá prosseguir na quinta-feira.

A mudança de temperamento descrita por Vanda Pires é, afirma Touger, "muito importante" e tal "será demonstrado à medida que o julgamento avança".

Na quinta-feira serão ouvidos elementos do "staff" do Hotel Intercontinental, nomeadamente o segurança e a empregada de limpeza que esteve no quarto onde a vítima foi encontrada.

Outra testemunha da acusação é o taxista que levou Seabra de Penn Station até ao Hospital Bellevue, onde foi tratado a cortes nos pulsos.

Na sala de audiências estiveram hoje a mãe de Seabra, uma irmã e uma prima de Carlos Castro.

Na sessão anterior foram ouvidas as declarações de abertura das duas partes, tendo Rosenthal insistido que o crime de Seabra "resultou de raiva, de cólera, de frustração e de desilusão, resultado direto do fim da relação com Castro".

A defesa escuda-se nos relatórios psiquiátricos que apontam problemas mentais a Seabra, que na altura do crime "estava em pensamento delirante, num episódio maníaco e desordem bipolar com caraterísticas psicóticas graves".


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