Metade da população sénior portuguesa tem uma doença que requer cuidados médicos

Metade da população sénior portuguesa tem uma doença que requer cuidados médicos

 

Lusa / AO online   Nacional   30 de Nov de 2008, 11:13

Metade da população sénior portuguesa tem uma patologia que requer cuidados médicos regulares, em especial nas zonas urbanas, segundo um estudo que avalia as necessidades desta população a que a Lusa teve acesso.
    O estudo da Fundação Aga Khan, realizado com o Centro de Estudos e Desenvolvimento Regional e Urbano e com a Boston Consulting Group, analisou as necessidades da população sénior e realizou um inquérito de norte a sul do país a 1300 pessoas com mais de 55 anos.

    Em declarações à Lusa, o director executivo da Fundação Aga Khan, Nicolas Mckinlay, explicou que este trabalho faz também uma radiografia dos serviços disponíveis para o apoio aos idosos e revela que Portugal pode ser inovador nesta área, uma vez é um dos países onde o apoio familiar aos seniores é muito forte.

    No que se refere à saúde desta população, o estudo indica que há uma maior incidência de patologias nas mulheres do que nos homens (56 por cento e 45 por cento, respectivamente), em especial nos mais idosos.

    A percepção de que a população sénior em Portugal faz do seu estado de saúde é, na sua maioria, razoável (57 por cento), enquanto que 35 por cento considera ter uma boa saúde e apenas sete por cento faz uma avaliação negativa.

    Ainda que entre os sexos não haja diferenças assinaláveis, os homens revelam uma avaliação mais positiva: 39,4 por cento considera ter um bom estado de saúde, contra apenas 30,3 por cento das mulheres inquiridas.

    Uma análise desagregada por grupos etários evidencia que a avaliação de um bom estado de saúde decresce tendencialmente com o aumento da idade: maior proporção de avaliações negativas entre os indivíduos com 85 ou mais anos (16,4 por cento).

    O estudo explica que esta é uma consequência directa do declínio funcional que os idosos vão sofrendo com a idade, independentemente de qualquer outra variável.

    Nas áreas urbanas e nas áreas rurais a maioria da população sénior tem uma percepção razoável do seu estado de saúde (57,5 e 58,3 por cento respectivamente).

    Contudo, é nas áreas rurais que a avaliação negativa do estado de saúde é mais elevada (10 por cento).

    Entre os múltiplos factores que concorrem para esta realidade, o estudo destaca um menor acesso e utilização dos cuidados de saúde das populações em contexto rural.

    As desigualdades socio-económicas têm igualmente impactos ao nível da percepção dos estados de saúde.

    É entre a população sénior com um menor nível de instrução que se registam avaliações mais negativas do seu estado de saúde (68,2 por cento da população iletrada e 60,7 por cento com o 1º ciclo do ensino básico).

    Este grupo considera ter um mau estado de saúde, enquanto que no extremo oposto, os seniores com ensino superior, na sua maioria, consideram ter um bom estado de saúde (55,8 por cento).

    As pessoas com maior nível de instrução encontram-se melhor informadas sobre os comportamentos e estilos de vida mais saudáveis, assim como no que se refere às atitudes de promoção da saúde e de prevenção da doença, do que aquelas com níveis de instrução mais baixos.

    São também as populações com poder económico mais elevado que têm um melhor acesso a cuidados especializados e sistemas privados de saúde.

    Os seniores dos grupos socioeconómicos mais desfavorecidos tendem a ficar mais dependentes do recurso aos médicos de clínica geral e dos serviços de urgência, adiando frequentemente a ida ao médico e assim a possibilidade de melhorar os seus estados de saúde.

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