Açoriano Oriental
Mais de 1,5 milhões de portugueses vítimas de violência física ou sexual

Mais de 1,5 milhões de portugueses já foram vítimas de violência física ou sexual como adultos, segundo o Instituto Nacional de Estatística, que revela que as mulheres são as principais vítimas de violência sexual em contexto de intimidade.

Mais de 1,5 milhões de portugueses vítimas de violência física ou sexual

Autor: Lusa

Os dados constam do Inquérito sobre Segurança no Espaço Público e Privado (ISEPP) e resultam de 11.346 entrevistas feitas entre julho e outubro do ano passado para recolha de dados estatísticos sobre violência de género e violência doméstica.

Segundo o INE, 20,1% das pessoas com idades entre os 18 e os 74 anos já foram vítimas de violência física ou sexual na idade adulta, com as mulheres a serem mais afetadas pela violência em contexto de intimidade, ao contrário dos homens, que são sobretudo vítimas de violência física fora de contexto de intimidade.

O INE explica que a violência na idade adulta resulta da combinação de toda a violência sofrida pelas pessoas tanto em contexto privado como público, tendo tomado em consideração “o tipo de violência observada que é comum nas duas esferas, isto é, a violência física e a violência sexual”.

De acordo com o INE, “a proporção de mulheres que sofreram violência sexual na idade adulta é praticamente o triplo da observada nos homens (6,4% para 2,2%, respetivamente)”, com os homens a apresentarem “uma maior prevalência de violência física, sendo superior à das mulheres em 5,3 p.p. (18,5% para 13,2%)”.

“Daqui resulta que a proporção total de pessoas vítimas de violência física e ou sexual na idade adulta é de 20,1%, sendo a proporção de mulheres e homens muito semelhante, respetivamente, 19,7% e 20,6%”, explica o INE.

Concretamente em relação à violência em contexto de intimidade, o INE refere que mais de 1,3 milhões de pessoas (20%) que têm ou tiveram um/a parceiro/a sofreram algum tipo de violência, com a proporção a ser mais elevada nas mulheres (22,5%) do que nos homens (17,1%).

Refere também que as mulheres apresentam proporções mais elevadas do que os homens em todos os tipos de violência em contexto de intimidade, quando analisados separadamente: “21,8% das mulheres referiram ter sofrido violência psicológica, o que compara com 16,8% dos homens; 7,0% foram vítimas de violência física, mas não sexual (3,3% no caso dos homens); e 10,3% de violência física ou sexual (3,8% nos homens)”.

Este último valor (10,3%) significa que um universo de quase 500 mil mulheres foi vítima de agressões físicas ou sexuais por parte do parceiro, além de o INE salientar que “a proporção de mulheres vítimas de violência sexual é o dobro da observada nos homens (3,8%)”.

Com os resultados obtidos, o INE considera que “apenas parte das experiências de violência são reportadas às autoridades policiais e oficialmente registadas”, tendo em conta que os dados administrativos registaram 37,7 mil vítimas por crime de violência doméstica em 2022, quando o inquérito apurou 214,4 mil.

Fora do contexto de intimidade, a violência física é a que mais se destaca, sobretudo nos homens, mas ainda assim a “proporção de mulheres vítimas de violência sexual é o dobro da observada nos homens”.

Os dados do inquérito mostram, no entanto, um padrão diferente do que foi observado na violência em contexto de intimidade, já que a proporção de homens vítimas (19,3%) é superior à das mulheres (13,1%), “particularmente suportada pela mais elevada proporção de homens que sofreram violência física, mas não sexual (17,4%), o que compara com 9,3% nas mulheres”.

“Porém, a proporção de mulheres vítimas de violência sexual fora do contexto de intimidade (3,9%) é o dobro da observada nos homens (1,9%)”, sublinha.

O INE analisa também a questão do assédio sexual no local de trabalho e conclui que também aqui há uma diferença de género, já que “mais do dobro [das mulheres], comparativamente aos homens, afirma ter sido vítima” e com mais de 76 mil mulheres a reportaram situações ocorridas nos doze meses anteriores à realização do inquérito.

O fenómeno é particularmente notado pelas mulheres mais jovens e a maioria dos agressores identificados são homens, com destaque para colegas de trabalho e o patrão.


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