Caso "Arca de Zoé"

Jornalista acusado de sequestro de crianças ouvido hoje por polícia


 

Lusa / AO online   Internacional   6 de Nov de 2007, 10:49

Um dos três jornalistas franceses acusados do sequestro de 103 crianças no Chade afirmou segunda-feira que será ouvido esta terça-feira pela polícia francesa e que está pronto "a prestar contas" sobre a sua actividade.
Marie-Agnès Peleran, libertada domingo juntamente com os repórteres Marc Garmirian e Jean-Daniel Guillou, disse, ao canal televisivo France 3, onde trabalha, que será ouvida pelas autoridades respondendo à acusação de "exercício ilegal de actividade intermediária com vista a adopção".

A acusação, pronunciada a 24 de Outubro, recai sobre as actividades, no Chade, da organização não governamental "Arco de Zoe", que tem seis dos seus membros detidos, incluindo o líder, Eric Breteau, e a sua companheira, Emilie Lelouch.

Marie-Agnès Peleran alegou que se encontrava no Chade para realizar uma reportagem sobre as actividades da organização mas também para acolher, eventualmente, uma das crianças reunidas pela "Arca de Zoe".

A associação, que no Chade se chamava "Salvar Crianças", terá enganado não só as autoridades mas também os voluntários locais, já que apenas na véspera do embarque dos 103 menores para França, que foi abortado, é que foram informados de que as crianças não iam ficar no Chade.

Nas imagens captadas pelo jornalista Marc Garmirian, membros da "Arca de Zoe" simulavam a evacuação sanitária das crianças africanas.

Segunda-feira, o repórter contou que os responsáveis da organização continuam "convencidos da legitimidade" da sua missão, ao abrigo da Convenção de Genebra de 1951 sobre o salvamento de crianças ameaçadas.

De acordo com o diário francês "Le Monde", pais enfurecidos estão a chegar à cidade de Abéché para recuperarem os seus filhos, invocando que em nenhum momento os franceses falaram em os levar para França.

Além de seis membros da "Arca de Zoe", continuam detidos, por cumplicidade, três tripulantes do avião que a organização não governamental fretou para levar as crianças e um piloto belga, que os transportou numa avioneta desde a região fronteiriça com o Sudão até Abéché, de onde deveria ter levantado voo, a 25 de Outubro, um avião com destino a França, que foi impedido pelas autoridades.


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