Igreja católica chilena pede perdão por abusos sexuais e promete reparar danos

Igreja católica chilena pede perdão por abusos sexuais e promete reparar danos

 

Lusa/Ao online   Internacional   5 de Ago de 2018, 12:24

 A igreja católica chilena pediu este sábado perdão pelos abusos sexuais cometidos por membros do clero e anunciou um pacote de medidas e compromissos para a reparação dos danos às vítimas.

Os 34 bispos da Conferência Episcopal do Chile (CECh) terminaram, na sexta-feira, a assembleia plenária extraordinária de cinco dias na localidade costeira de Punta de Tralga para analisar a crise em que vive o clero chileno depois de denúncias de abusos sexuais.

O presidente da CECh, Santiago Silva, fez uma declaração no final do encontro reconhecendo os erros da igreja católica chilena "por não ouvir, acreditar, assistir ou acompanhar as vítimas de graves injustiças cometidas por sacerdotes e religiosos".

"Às vezes não reagimos a tempo ao doloroso abuso sexual, abuso de poder e de autoridade e, portanto, pedimos desculpas em primeiro lugar às vítimas e sobreviventes", disse.

Os bispos admitiram que as suas faltas e omissões causaram "dor e perplexidade" e lamentaram que alguns membros do clero não tivessem sido "mais ativos e atentos às dores sofridas pelas vítimas, parentes e comunidade eclesial".

Para começar a emendar a situação, explicou Silva, os bispos aprovaram uma série de iniciativas de "curto prazo", entre as quais a publicação de todas as investigações canónicas sobre abuso sexual contra menores.

O bispo também anunciou que será distribuído pelas dioceses do país um documento com normas de procedimentos para demonstrar um "compromisso total" em cooperar com denúncias de abuso infantil.

Os bispos atribuíram novos poderes e responsabilidades ao Conselho Nacional de Prevenção de Abusos e apoio às vítimas, em cujo site foi publicada na sexta-feira a lista dos nomes dos clérigos, sentenças civis e canónicas chilenas relacionadas com abuso sexual.

Segundo esse registo, 17 sacerdotes e um diácono foram condenados pelos tribunais civis e outros 25 sacerdotes foram sancionados pela justiça canónica.

A Igreja comprometeu-se a avançar na reparação dos danos às vítimas e a elaborar um "bom protocolo de tratamento" para fomentar um relacionamento baseado no respeito.

Nos últimos meses foram divulgados numerosos casos de abuso sexual cometidos durante décadas por religiosos, assim como as tentativas de alguns membros da hierarquia católica de encobrir esses casos.

Atualmente, o Ministério Público tem 38 casos em investigação, envolvendo 73 suspeitos e 104 vítimas, a maioria menores de idade à época dos factos.

O papa Francisco, que a princípio minimizou a seriedade da situação, decidiu há alguns meses intervir diretamente na crise e enviou ao Chile o arcebispo de Malta, Charles Scicluna, para reunir informações básicas.

O relatório preparado por Scicluna mudou a perceção do pontífice sobre o caso chileno e depois de um encontro com o papa os 34 bispos do Chile apresentaram a renúncia.

Até ao momento, o papa Francisco aceitou a renúncia de cinco destes bispos.



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