Segundo José Manuel Bolieiro, o grupo de trabalho incluirá o executivo regional, a SATA (operadora da infraestrutura aeroportuária), a Associação de Municípios da Ilha do Pico e o Instituto da Vinha e do Vinho dos Açores (IVV Açores).
“Tudo aponta para um compromisso entre o poder regional autónomo e as autarquias, encontrarmos um grupo de trabalho que vai ser constituído com este objetivo, de modo a calendarizar a execução e encontrar meios de financiamento que só são possíveis, com realismo, com fundos comunitários”, afirmou Bolieiro no discurso proferido no concelho da Madalena, na ilha do Pico, na cerimónia de tomada de posse dos órgãos dirigentes do IVV Açores, um organismo que é presidido por Cláudio Lopes.
O governante referiu que, sem fundos comunitários “não há condições para materializar” o projeto, mas “há capacidade de decisão relativamente às opções estratégicas e sinergias entre Governo Regional, poder nacional, instituições comunitárias e poder local” para que sejam encontradas soluções.
“Portanto, quero anunciar que será feito um grupo de trabalho para pensar exatamente a ampliação do aeroporto”, disse.
Bolieiro lembrou que a Associação de Municípios da Ilha do Pico tem sido porta-voz para “se encontrarem as soluções possíveis” para o investimento e justificou a inclusão do IVV Açores no grupo de trabalho, porque as opções podem interferir com o perímetro da paisagem da cultura da vinha na ilha do Pico classificada pela UNESCO.
Na sua opinião, “é preciso garantir um acompanhamento minucioso que não desvalorize estes adquiridos do prestígio internacional”.
“Evitar que um objetivo e uma ambição prejudique uma ambição antiga e um adquirido da atualidade por parte do Pico, da produção da vinha, da classificação da paisagem da cultura da vinha, e do protagonismo que temos através da nossa atividade vitivinícola”, acrescentou.
O líder do executivo açoriano garantiu que a constituição do grupo de trabalho e o arranque dos trabalhos “não se tratará de uma coisa para ir fazendo, vai ter que ser [feita] com relativa prontidão”.
No discurso proferido na cerimónia, Bolieiro referiu o empenho do secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, na criação do IVV Açores, que tem sede no município da Madalena.
Referiu que a classificação da paisagem da cultura da vinha na ilha do Pico pela UNESCO é um aspeto que honra “não apenas o Pico, mas os Açores inteiros e Portugal”, acrescentando que tudo deve ser feito para “preservar e valorizar este contexto”.
Sobre o setor, salientou que importa, “com um solo vulcânico hostil ou mesmo uns ventos oceânicos, muitas vezes destruidores”, fazer do vinho produzido no arquipélago “um produto de muito valor acrescentado”.
Assumiu, ainda, que o enoturismo é “uma referência fantástica para os Açores”: “É um elemento do negócio turístico, é um elemento da produção de riqueza e de valorização da nossa economia”.
O IVV Açores foi criado em 2022, mas só foi implementado em 2025, tendo os estatutos sido aprovados pelo Governo Regional em fevereiro.
Em junho do ano passado, o executivo nomeou a nova direção do instituto, liderada por Cláudio Lopes.
O IVV Açores tem como missão assegurar a regulação, fiscalização, certificação e promoção da produção vinícola açoriana, apoiando diretamente os produtores e contribuindo para a sustentabilidade e valorização da vinha e do vinho.
O arquipélago açoriano possui três regiões demarcadas de produção de vinhos de Denominação de Origem (Pico, Graciosa e Biscoitos - ilha Terceira) e todas as ilhas são abrangidas pela Indicação Geográfica Açores.
