Açoriano Oriental
Governo dos Açores quer agentes a intervir sobre criação de novas áreas marinhas protegidas

O secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia do Governo dos Açores, Gui Menezes, apelou a um “envolvimento” de todas as instituições ligadas ao mar, no sentido de se definirem as novas áreas marinhas protegidas na região.

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Foto: Eduardo Resendes
Autor: Lusa/AO Online

“Pretendemos o envolvimento de pessoas e instituições que tenham atividades ligadas ao mar, mas queremos que seja um processo participado pela sociedade açoriana em geral”, destacou o governante, falando na sessão de abertura da reunião do processo de reestruturação da Rede de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores (RAMPA), realizada na cidade da Horta.

Para Gui Menezes, “o envolvimento, ativo e crítico, dos 'stakeholders' [agentes] é fundamental para que este processo avance”, referindo-se, em especial, aos profissionais do setor, que são, simultaneamente, os mais interessados, mas também os mais afetados com o crescimento de zonas de proteção à pesca.

Em declarações aos jornalistas, à margem da reunião, o secretário com a tutela do Mar lembrou que, segundo os dados científicos, “é necessário aumentar as áreas marinhas protegidas e a sua representatividade”, assim como assegurar uma “melhor gestão” dos recursos marinhos.

Confrontado com a necessidade de se criarem novas áreas marinhas protegidas nos mares da região, Jorge Gonçalves, da Associação de Produtores de Espécies Demersais nos Açores (APEDA), admitiu que os profissionais do setor reconhecem, eles próprios, essa necessidade.

“É preciso salvaguardar o futuro das pescas e o rendimento dos nossos pescadores”, insistiu o dirigente associativo, em declarações aos jornalistas, à margem do encontro na Horta, recordando que “para haver rendimento, é preciso haver recursos”.

Esta primeira reunião do processo de reestruturação da RAMPA teve como objetivo apresentar um plano para a definição, discussão e implementação de novas áreas marinhas protegidas, e criar um grupo de trabalho com representantes dos principais setores regionais ligados ao mar que acompanhe todo este trabalho.

Gui Menezes lembra, contudo, que este processo está ainda numa fase inicial e que ainda não foram definidas as áreas que a região pretende vir a proteger, adiantando que o que está em causa é não apenas a “conservação da biodiversidade”, mas também “o aumento do rendimento das pescas e a conciliação dos vários usos do mar”.

“Um dos grandes desafios é o de manter a qualidade ambiental marinha e fomentar o crescimento económico ligado à pesca, ao turismo marítimo, ao mergulho ou à aquacultura”, frisou o governante.

O processo de restruturação das áreas marinhas protegidas dos Açores é coordenado pelas direções regionais dos Assuntos do Mar e das Pescas e conta com o apoio dos projetos 'Blue Azores' e 'LIFE Azores Natura', bem como como do OKEANOS e da Universidade dos Açores.


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